O Futebol é, na sua essência, um jogo muito simples! De uma simplicidade tão grande, que é capaz de ser entendido, quase que intuitivamente, a uma escala verdadeiramente global. Desde o seu regulamento, até ao seu principal objectivo... aquele que leva as equipas a se aprimorarem nos processos de treino desportivo: ganhar! E neste caso, a medida da performance também é muito simples de ser entendida: ganha aquela equipa que marcar mais golos! Tão simples que nem "La Palisse" seria capaz de fazer melhor... Um "golo", sempre que a bola ultrapassa regularmente a linha de baliza, entre os postes e abaixo da trave, é sempre... um golo! Nunca contam a "dobrar"! Nem aqueles cuja bola entra na baliza a mais de 100 km/h, nem os de "bicicleta", nem os de "calcanhar". Nem as defesas "impossíveis" dos guarda-redes servem para desempatar... Fará sentido falarmos sobre a "estética"do jogo, numa modalidade com objectivos tão simples e perfeitamente mensuráveis? Há quem diga que sim... que sempre podemos desfrutar mais de um jogo "bonito"... mas o que é isso de "jogar bonito"? Como poderíamos definir um jogo com uma "nota artística" superior"? Para uns será a qualidade e quantidade dos passes efectuados com sucesso entre os elementos de uma equipa, para outros será o número de oportunidades de golo que se criam ao longo do jogo, para outros será a velocidade das acções e, entre infindáveis opções, para outros será a agressividade e intensidade que os jogadores colocam na partida. E, sem equacionar os referenciais culturais dos observadores, em quais dos critérios "artísticos" a análise sai beneficiada do equilíbrio das equipas em confronto e quais aqueles que só são salientados precisamente num cenário oposto, onde uma das equipas é claramente superior à outra? Perante tão "complexa" discussão, devo confessar que tenho imensa dificuldade em me situar. Pois para mim, como treinador de alto rendimento, o Futebol não é passível de ter qualquer "nota artística". Apenas e simplesmente o objectivo de ganhar!
Nelson Caldeira, Treinador