Furor Das águas bravas Onde estavas Ou dormias Oh Velho Adamastor Das ilhas mansas, Sadias. Donde vieste De qual cerro ou cume Batume batume Tumescente agreste Desterrando o velho Enterrando o menino Oh belo horrível Loucura e desatino Oh caixa de Pandora! Não chamem Deus Nem a Senhora Nem Júpiter nem Zeus Que o mar e o trovão Planetário em turbilhão São amados filhos seus. Velha matrona, Tiveste a dita De voltar à ilha virgem Do seio furibundo Da criação do mundo. E … oh prole maldita Estirpe mole e cobarde Que chega sempre tarde Ao tormentoso cabo da vida! Madeirense mareante Que mesmo gemendo mão teme Faz-te ao largo agarra o leme Gente firme, Povo atlante, Rodavante rodavante! E a ilha sabe Que o Cristo dos Milagres Não quer que o mar adormeça Nem quer que o fogo se acabe Venha um Infante de Sagres Renasça o velho Marquês Pra levantar dos escombros De Lisboa ou do Funchal Um povo que é português A força que é Portugal!.
Martins Júnior, Colaborador da 'Cooperativa Espaço às Artes - Cultura Ponto Zero'