Lamentavelmente, algumas modalidades não iniciaram a competição nos escalões de formação, nomeadamente o Hóquei em Patins e outras com expressão regional, quando já caminhamos para o fim da época desportiva. Se os clubes encontram problemas na dinamização atividades, as modalidades mais "dispendiosas" vêm esse esforço redobrado o que dificulta esse arranque. A persistência dos jovens praticantes leva à sensibilização dos dirigentes a criarem o mínimo de condições para a continuação e, com alguma criatividade à mistura, vão mantendo os treinos e algumas iniciativas internas e outras conjuntas, para colmatar tal ausência. Até quando conseguimos isto? Para que a normalidade volte a reinar é necessário dar o primeiro passo, no entanto, muitos clubes não têm possibilidades de inscrever as suas equipas, não só por questões financeiras mas por falta de praticantes que vão abandonando a prática sem qualquer motivação, deixando um vazio difícil de resolver. Esta é a principal consequência da inexistência das provas oficiais e do convívio desportivo. Os clubes e as associações sentem-se de "mãos amarradas" e, por muita boa vontade que haja, os passos dados acabam por ser muito pequenos. Os problemas são comuns a todas as modalidades, até no Desporto-Rei - o Futebol, foi protelada a participação e foram feitos reajustamentos aos programas previamente definidos. Nos dias de hoje e, com as dificuldades inerentes à conjuntura institucional e empresarial, aliada à falta de fontes de rendimento interno, a participação de todos é fundamental para a dinâmica das coletividades e para a sobrevivência das mesmas. Com toda esta problemática, já não sei qual é a base da pirâmide do Desporto. Os clubes sem dirigentes não funcionam; os dirigentes sem clubes não têm como pôr em prática as suas intenções; os clubes sem atletas e treinadores não precisam de "abrir as portas" e os atletas sem clubes não podem praticar Desporto… Desmanchei a pirâmide e transformei-a numa linha reta… todos somos importantes mas, acabamos por valer pouco… eis o busílis da questão. Quo Vadis Desporto, o emergir é mais difícil que o afundar… será preciso muita determinação para termos uma nova "era" do Desporto, com ou sem dinheiro. Para terminar, felicito o Recreio Musical União da Mocidade, da minha freguesia de São Roque, pela celebração do 100º aniversário. Uma instituição ímpar que leva e eleva o nome da freguesia, à semelhança do Clube Desportivo São Roque, ao mais alto patamar. Parabéns e bem hajam!

Marcelo Gouveia, Dirigente desportivo