Leitor identificado Como uma barata, o Miguel Relvas engordou nas sombras do esgoto de tráfico de influências que é a máquina partidária; mas mal se aventurou para diante das luzes da ribalta da política nacional, a opinião pública esmagou-o sob o calcanhar do seu desprezo por tudo aquilo que ele representa. Cá no nosso jardim atlântico também temos um Relvas. Desprovido de qualquer carisma, munido de um entendimento saloio do mundo, o nosso Relvas tem florescido debaixo da sombra da laranjeira. Ao fim de 30 anos ele está em toda a parte: gere dezenas de empresas, preside a inúmeras associações e fundações e - pasme-se - ainda arranja um tempinho para prestar serviço público na forma de um parte-time na Assembleia Regional. Há 30 anos que o nosso Relvas se pavoneia sem medo por este pequeno jardim; todos sabemos que ele é uma barata, mas é uma barata que exibe o carimbo de certificação de qualidade do Único Importante. Tudo o que o nosso Relvas faz está dentro da lei - é mera coincidência que as leis em que se empenha tanto por fazer passar (pelo Bem coletivo) sejam tão favoráveis aos seus próprios interesses. São essas leis que contribuíram para entupir os esgotos que agora rebentaram e lançaram sobre o nosso pequeno jardim a merda acumulada de 30 anos de chico-espertismo, oportunismo e ganância. Pergunto-lhes, poderá algo ser ao mesmo tempo legal e imoral? Existem leis imorais numa democracia? Se sim, porque é que as permitimos? Até quando vamos continuar a tolerar baratas neste nosso jardim? Ps- Qualquer semelhança com pessoas reais é pura coincidência.