A propósito de mais um aniversário desse fatídico 20 de Fevereiro de 2010, pusemo-nos todos a ver o que foi feito e o que ainda está por fazer. Há méritos e muito esforço despendido; Há atitudes nobres e há muita força de vontade, mesmo que nem umas nem outra se repercutem em ajudas concretas; mas são todas louváveis. Também se registaram aproveitamentos vergonhosos, falta de escrúpulos, vitimização abusiva. No próprio fatídico dia, recordo-me de ver e ouvir um governante, qual abutre, a anunciar que face à iminência da transferência de avultadas verbas para a reconstrução, provavelmente voltaria atrás na repetida promessa de desamparar a loja. E cumpriu. Mas não é isso que gostaria de abordar.

Ao longo destes três anos de ‘reconstrução’, houve que preparar dossiers e projectos, houve que planear e ver mais além que o simples regabofe da distribuição dos generosos milhões da Lei de Meios. Essas tarefas não foram simples nem estavam ao alcance de qualquer um, como muitas vezes imaginamos que fossem. Esse planeamento, e sobretudo a falta dele, deu para ver quem é quem. Deu para conhecer melhor alguns dos protagonistas, outrora emproados e hoje mais comedidos, alguns já fora de cena, outros que ainda andam por aí.

Vimos coisas bem feitas e bem planeadas, vimos também processos tratados em cima do joelho, com prioridades invertidas, corridas desenfreadas contra o tempo depois de muito tempo ‘a dormir’. E sobretudo muita sacudidela de culpas para cima dos companheiros, porque isso de “se por de fora” vai ficar como imagem de marca deste elenco governativo.

No meio das boas vontades, da eficácia e do profissionalismo, misturam-se as outras coisas: a inércia, o umbiguismo, a displicência e o ‘show off’. Claro que, como lembrou e bem o vereador Costa Neves, “ninguém vai preso”. Pior ainda: parece que ser competente ou incompetente, eficaz ou displicente, dá tudo na mesma. É igual ao litro.