A evolução tecnológica e as práticas de gestão contemporâneas, digo mais adaptadas aos dias de hoje e aos mercados onde trabalhamos, fazem-nos, por vezes, acreditar que bastam algumas palavras bonitas, uns estudos mais carregados de números e de tabelas, que agora facilmente obtemos através das fórmulas que a informática trabalha e apresenta às cores, e pronto, temos gestores e resultados. A ideia é um pouco estúpida, talvez, na apreciação de um gestor encartado. Será mais entendível na perspectiva de um leigo na matéria, mais interessado em resultados do que em divagações. Nada me move contra os que sabem de números, que os trabalham com seriedade e habilidade. Admito o seu drama diário de somar, subtrair, multiplicar e dividir e restar muito pouco ou quase nada. Não quero estar no lugar deles. Apenas preparei o leitor para apresentar uns dados que li há poucos dias e que estão muito actuais, se os quisermos cruzar (ou comparar) com a realidade de Portugal, em geral, e da Madeira, em particular. A minha contribuição para os decisores e os gestores, ajudando-os num exercício de puro "benchmarking", um neologismo que entrou com muita força na cultura economicista das últimas décadas, mas muito útil, concordo. E o caso que quero apresentar refere-se à Croácia, um país no Sul da Europa, banhado pelo Mar Adriático, que saiu de uma guerra em 1995. Tem 4,5 milhões de habitantes e no próximo dia 1 de Julho será membro de pleno direito da União Europeia, onde ocupará por ordem de entrada o 28º lugar. No ano passado recebeu 12,3 milhões de turistas (+5% do que em 2011) que ocuparam 70,3 milhões de quartos/noite na hotelaria (mais 6,4% que no ano anterior). Este ano as previsões de aumento, quer na entrada de turistas, quer de noites vendidas, apontam para entre dois a três por cento. Os turistas que procuram a Croácia são maioritariamente do Centro e Norte da Europa. Perguntarão se há algum segredo para o sucesso da Croácia. Parece-me que não, para além do país ter também paisagens muito interessantes e praias acolhedoras, sobretudo no Verão. O que há é uma atitude do governo croata que deveria ser seguida por outros países e regiões que têm no turismo um dos principais sustentáculos da sua economia e, nomeadamente, da criação de postos de trabalho. Desde o dia 1 de Janeiro deste ano que o IVA para a hotelaria, em todas as suas modalidades de alojamento e fornecimento de refeições, é de 10%. Mas há mais: o Banco Croata para a Reconstrução e Desenvolvimento, fundado depois de 1995, criou uma linha específica para apoiar investidores e criou empréstimos para o sector do turismo até 17 anos, com taxas de entre 2,3 e 5%. As previsões de investimento para 2013 no sector da hotelaria são de 343 milhões de euros, 263 milhões dos quais assumidos por grupos hoteleiros de envergadura internacional. Precisamente o que falta no "Portugal Europe's West Coast". Olhamos para o umbigo, aumentamos os impostos e afastamos os investidores. Que tão bem ficou a alcunha de "afogadinho" que atribuíram ao símbolo de marca do Turismo de Portugal. É isso que nos está a acontecer, embora considero que o trabalho de promoção nacional continua a ser feito com mérito e sacrifício por parte dos que lá trabalham. Não há bóia que nos salve…

Catanho Fernandes - Jornalista