Maria Fernanda Barroca A 15 de Outubro de 2012, Bento XVI, fez publicar a sua Mensagem para a Quaresma deste ano, como lema: Crer na caridade suscita caridade. Não podemos esquecer que a primeira Encíclica de Bento XVI, foi Caritas est.; também não podemos esquecer que esta é a Quaresma do Ano da Fé. Estes dois acontecimentos fazem-nos ver que há uma relação muito forte entre fé e caridade - ambas virtudes teologais. Aliás, Bento XVI apoia-se na afirmação fundamental do apóstolo João:"Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele" (1 Jo 4, 16). O Santo Padre chama a atenção de que "caridade" não se pode confundir com solidariedade ou ajuda humanitária. Para Bento XVI a maior obra de caridade é a evangelização. "Nem só de pão vive o homem", quer dizer que, se o pão (do padeiro) é fundamental, não chega, pois o homem não é só corpo, tem alma que deve ser alimentada com a Palavra, ou seja deve ser evangelizada. Para Bento XVI a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana, isto sem desvalorizar o trabalho caritativo, que deve ser fundado na fé e guiada pela evangelização e conclui: "a fé sem obras é vã, isto é "a fé sem obras de caridade, é como uma árvore sem frutos". Ora há algo que preocupa a Igreja - o financiamento público ou de organizações não-governamentais que condicionam a sua acção e, pior, são aliciadas para ideias contrárias à doutrina cristã. Isto não é só cá. No Reino Unido algumas agências de adopção católicas encerram para evitar entregar crianças ao cuidado de homossexuais. Nos Estados Unidos as instituições católicas estão em «luta» com o governo. E porquê? Porque muitos defendem que o que interessa é fazer o bem, incluindo nesse bem a obrigatoriedade de distribuir contraceptivos e abortivos nos hospitais públicos e naqueles que a identidade católica nunca pode ser posta em causa. Os fins não justificam os meios. Este assunto consta de orientações para as organizações de caridade católicas. Mas o Papa continua na Sua missão. Na última missa na Basílica de São Pedro no dia 13, apelou para o fim da "hipocrisia religiosa" e "rivalidades" dentro da Igreja Católica. O Papa afirmou que "a cara da Igreja" se apresenta "por vezes desfigurada". E lembrou os "ataques à unidade da Igreja, nas divisões no corpo eclesiástico". Apontou a incoerência dos que se insurgem contra os "escândalos e injustiças naturalmente cometidas por outros" mas que não estão prontos a agir no seu próprio coração, consciência e intenções".