Juvenal Pereira - Adoro as festas da Flôr, dos Santos Populares, das Vindimas e do Natal, mas tenho um fraquinho especial pela folia do Carnaval. E temos mesmo é de nos divertir, levar a vida a sorrir, se quisermos passar um pouco ao lado do presumivel castigo por Deus aplicado. Segundo reza a lenda - e as más-línguas também - este País nasceu com o filho a bater na mãe. Gesto tresloucado que levou Deus, lá no alto dos céus, a sentenciar, indignado: Portugal será sempre um País destrambelhado! Tornar-se-á livre, independente, mas terá satanás sempre presente! O seu povo, obediente e conformado, viverá permanentemente atormentado e sob os terríveis vícios da bola, das telenovelas e do fado. Nenhum regime ou conjuntura política lhe retirará da cepa-torta; será sempre um dos países mais pobres e tristes da velha europa. Um dia terá uma revolução onde o povo pensará estar a sua salvação. Pura ilusão. Viverá como um fidalgo enquanto houver dinheiro oferecido e depois emprestado. Quando acabar e as dividas chegar, voltará tudo ao primitivo: Povo pobre, País falido! O desemprego será uma razia, os remediados ficarão pobres em poucos dias. Os poucos ricos não vão saber o que fazer ao dinheiro; a fome, a descrença, o oportunismo, as desavenças, espalhar-se-ão pelo País inteiro. Em tudo o governo procurará buscar dinheiro! Lançará uma descomunal avalanche de impostos sobre o trabalho e a vida do povo, igual ou pior a uma nefasta praga de gafanhotos. Impostos que não serão só para pagar as dívidas, mas para sustentar toda uma gigantesca e privilegiada classe politica. O povo tirará o pão da boca dos seus entes- queridos, para manter os desacreditados partidos políticos. Na JUSTIÇA só haverá dois tipos de sentença: Pobre para a cadeia, rico para prisão domiciliária ou pena suspensa. O País será por MIM excomungado, teria, finalmente, Deus proclamado! - Perante isto, meus amigos, não há que pensar em dar a volta, temos é que nos divertir antes que estas desgraças nos batam à porta. Fazer como os nossos irmãos brasileiros; sambar, com ou sem dinheiro. No nosso caso, o mais aconselhado, é continuarmos a cantar o fado. Até que a garganta nos doía ou a paciência nos moia.