A escola pública é a organização mais inclusiva de toda a sociedade, não só pela sua abrangência, porque acolhe, sem escolha nem restrições, todos os alunos, pais e mães, professores e funcionários, como também pela capacidade de se adaptar às constantes e avulsas mudanças das políticas educativas impostas. Um Projeto Educativo de Escola não nasce apenas para os alunos, mas para toda a comunidade. As dificuldades e as carências, bem como as utopias, os sonhos e os projetos de vida não são exclusivos de uma das partes do sistema educativo. Não obstante, este desígnio da inclusão exige à sociedade uma rutura com os conceitos da escola tradicional que se circunscrevia a preparar os alunos para os resultados dos exames. A avaliação, quer interna quer externa, possui múltiplas faces e o rosto dos rankings é, sem dúvida, indissociável da escola, no entanto, representa apenas um dos pilares de uma entidade diversa, complexa e estruturante. Os fenómenos da indisciplina e da violência, com consequências no sucesso dos alunos, é um grande desafio que a escola enfrenta. Esta problemática não é nova, contudo, hoje, a visibilidade é maior e o atual contexto económico e social gera mais famílias disfuncionais, proporciona outras condutas disruptivas, uma maior intolerância, agressividade, criminalidade e desrespeito pelas regras da convivialidade. Isto é, ao lado dos alunos que reconhecem a escola como um pilar do seu futuro, chegam os outros sem qualquer interesse, sem referências, sem motivação, os que vão à escola porque não têm outras alternativas, porque a família obriga, o Estado impõe e a sociedade pressiona. A escola pública, consciente de que a sua intervenção é pedagógica e social, não jurídica, assume as suas responsabilidades, por isso, constrói-se com todos sem exceção, trabalhando para garantir, a todo o custo, um ambiente escolar seguro.

Rui Caetano - Professor