Visando crescerem mais do que linearmente ou de inverteremo abrandamentoda procura, as empresas expandem as suas possibilidades de produção através da inovação.Exploram novos produtos, incrementam melhorias nos produtos já existentes, ou, alternativamente, engendram novas formas de produção,com o objectivo de satisfazerem melhoros clientes actuais e potenciais, melhorando assim a sua performance global. Porém, este processo não é automático e exige um esforço concertado entre as entidades privadase o sector público, designadamente por intermédio de actividades internas e de políticas públicas que promovam Investigação e Desenvolvimento (I&D), que surgem a montante da inovação. De acordo com o INE, Portugal investe 1,6% do PIB em I&D e a Madeira ainda menos, 0,32%, valores abismalmente distantes dos de países da designada fronteira tecnológica, como a Alemanha, ou dos EUA (cerca de 3,5%). A mesma analogia poderá fazer-se relativamente à execução dessa despesa (repartida entre empresas, estado e universidades).Em Portugal, apenas 46,1% da I&D é executada pelas empresas (na Madeira 10,2%!), valores muitodíspares em relação à execução da I&D empresarial nos EUA ou na Alemanha (cerda de 70%). Os dados não deixam margem para dúvidas, o tecido empresarial madeirense tem de adoptar uma estratégia bem mais agressiva de reforço da competitividade, através da inovação,investindo muito mais em I&D, patenteando sempre que possível e estreitando laços com a investigação universitária, tirando um maior partido, por exemplo, da existência da Universidade da Madeira. Deste modo, vislumbra-se uma oportunidade para a Região ter um crescimento mais sustentável, assente num maior esforço tecnológico e com uma menor dependência do investimento e despesa estatais.

Rafael Freitas, Colaborador AAUMa