Enquanto o Avelino fazia a recolha de imagens, o Bernardo dava-me as instruções finais. A minha tarefa era muito simples. Ao seu sinal, correr em frente, sem hesitações. Mentalmente, visualizei essa simples tarefa. Que seria de facto bastante simples, não estivéssemos a falar de correr em direcção ao abismo. "Corre, corre, corre!" E lá fomos, mais ou menos sincronizados. Nem dez passadas demos e já o parapente nos elevava acima das copas das árvores. Depois de um "pequeno" ajuste, pude finalmente contemplar a Madeira de uma perspectiva distinta, à medida que as sucessivas térmicas, nos elevavam desde o Rochão, no Arco da Calheta, até á quota das nuvens desse dia, sensivelmente ao mesmo nível do Paúl da Serra. Magistralmente pilotado pelo Bernardo, foi fácil perceber porque o parapente atrai tantas pessoas por esse mundo fora. A sensação de leveza, à medida que íamos subindo, aproveitando as térmicas ascendentes, a velocidade que depois atingíamos, aproveitando para percorrer largas distâncias, sempre com as deslumbrantes vistas da Madeira como pano de fundo, umas vezes em profundo silêncio, outras ouvindo e sentindo o ar a passar veloz pelo capacete. Chegados ao Cabo Girão, apanhamos a térmica que surge na parte sul desta formação rochosa e pude sentir a sua força abruptamente. Foi o mote para dar sinal ao Bernardo de que já tinha a minha conta. Dirigimo-nos então à praia Formosa, onde aterramos suavemente. Sem dúvida que o parapente tem um potencial ainda por explorar na Madeira. Pode e deve constituir uma oferta para o turista que procura um turismo mais activo. O Funchal oferece aliás o cenário perfeito para a exploração rentável de um voo comercial citadino, oportunidade rara. Basta uma pista de descolagem abaixo da quota das nuvens e uma de aterragem no Funchal.

João Rodrigues, Atleta Olímpico