Fernando Garcia Extravasando o facto de a medida ser, mais do que absurda, uma verdadeira imbecilidade, a 'obrigatoriedade' de qualquer consimudor ter de pedir factura, sob pena de ser multado se não o fizer, revela que este governo perdeu completamente a noção do ridículo. Entrámos no domínio de Kafka e da sua célebre metamorfose... A partir de agora, todos somos ou bandidos ou xerifes! Uns, os primeiros, só querem infringir a lei; os outros, os segundos, defendem-na com unhas e dentes, e fazem-na cumprir não importa como, mesmo sendo um serviço público gratuito... O que é que está errado aqui? A filosofia (e não só) da actuação! Primeiro, o Governo acena-nos com uma pretensa benesse fiscal de uma dedução fiscal de 250 euros no IRS se apresentarmos facturas de determinados serviços durante a vigência anual do imposto; quando os economistas (que não os de algibeira, como os que pretensamente nos governam) vieram demonstrar que qualquer contribuinte precisava de pelo menos 20 mil euros de despesas nesses serviços para auferirem desse benefício (como dizia Guterres: é só fazer as contas!), o que fez o Governo?; segundo, pretendeu fazer de todos, senão bufos (vão ao dicionário se não conhecerem o significado da palavra), pelo menos fiscais (in)voluntários do poder para que a vigilância fiscal seja global e, objectivamente, efectiva. A partir deste pressuposto, cada um de nós passaria(rá) a ser um polícia de cada um dos outros, sem qualquer custo para o Estado, e com o ónus financeiro sobre todos... Reconheço que o princípio de que se todos pagarmos (impostos) todos pagamos menos não me causa qualque repugnâcia (antes pelo contrário), não tenho qualquer inclinação para andar a fiscalizar quem cumpre ou não os seus deveres cívicos e, acima de tudo, morais. Por tudo isto (e por mais algo que ficou por escrever), faço minhas as palavras do ex-secretário de Estado da Cultura (que muito me decepcionou quando aceitou o cargo), se algum fiscal me interpelar para saber se pedi a factura, só o poderei, com as minhas desculpas pela má criação, mandá-lo 'Tomar' (o 'T' maiúsculo não é inocente) naquele local...