A. J. Ferreira Num estado de direito, é dever de todo o cidadão cumprir com as suas obrigações fiscais. Segundo sei, existem muitos países onde o não cumprimento das obrigações nos pagamentos dos impostos ao estado, reverte em multas muito pesadas o que não compensa o incumprimento das mesmas. Dado esse facto, os governantes, consoante ao incumprimento, aplicam as devidas multas que por sua vez revertem para os cofres do estado.Até aqui tudo certo. Mas no nosso caso e falando concretamente nas medidas recentemente aprovados quanto à exigência de factura por tudo o que é adquirido, deixa muito a desejar. Por exemplo, na aquisição de um título de transporte (giro) no autocarro, o condutor não me dá a factura na hora da compra! Isto para citar um caso flagrante. Outra estupidez, o de ir a um café que em média paga-se 0,60 cêntimos, exigir uma factura que será lógico mas não funcional. Imaginar que tomo, dois cafés por dia, chego ao fim do ano com uma gaveta cheia de papeis; há! com agravante de que se não pedir a factura poder ser -me aplicada a respectiva multa. Ora se tudo isto mais o incentivo que a DGCI me dá na dedução no meu IRS, fosse real até vale a pena, mas depois? Como são geridos os dinheiros deste país? É o descalabro que se vê, ministros, ex-ministros, secretários de estado, autarcas, governadores, administradores de empresas públicas com montes de caso de corrupção que são de todos sabidos e que a justiça, por razões várias não aplica a verdadeira justiça democraticamente. Agora eu pergunto: será que vale a pena continuar a contribuir para a evasão fiscal do comerciante do café, do cabeleireiro, enfim de tantos outros que com uma pouca quantia individualmente lesa o erário público mas que reverte em favor da sua família, ou servir de fiscal das finanças, para depois esses dinheiros reverterem para ajudar quem durante tantos anos sacrificou e cada vez mais continua a roubar e a sacrificar quem realmente trabalha? Qual a autoridade moral dos políticos que governaram e governam este país, para fazerem semelhante exigência, quando quem realmente deveria ser o cumpridor e e contribuidor do estado é quem mais recebe os benefícios e menos contribui. Estarão usando-nos indirectamente para fiscalizando-nos uns aos outros, possamos continuar a ter governantes sem escrúpulos que só pensam em medidas abruptas e no imediato,e depois aplicarem o garrote financeiro destruindo a economia e o sector produtivo,entregando-nos à mercê de administrações estrangeiras. Entreguem de uma vez por todas a alguém que possa administrar o nosso dinheiro de modo a não serem sempre os mesmos, que realmente trabalham, a terem de pagar a crise, que bem vista, não foi o povo que a criou, mas sim os seus governantes ao longo de 39 anos de liberdade. Dêem-nos outra missão, a de com o nosso trabalho contribuir para o desenvolvimento da grande nação que foi e é o nosso Portugal. Se esse for o compromisso eu e muitos como eu assumi-mo-lo.