A Madeira e o Porto Santo perderam mais de 1.000 empresas em 2012, sendo a região do país com pior rácio entre empresas criadas e empresas desfeitas. Tudo isto leva-me a concluir que, infelizmente, partidos como o CDS-PP estavam certos e que o Governo Regional (GR) estava, e está, errado. Há muitos anos que diversas vozes dentro do partido ao qual pertenço vinham alertando para a política despesista do Executivo, para os investimentos sem retorno económico e social, para a megalomania de algumas obras públicas. Há muitos anos que dissemos que era fundamental fazer com que o sector público libertasse a economia da sua malha, alegadamente protetora, deixando que fossem os privados a tomar a iniciativa. Há muitos anos que defendemos que esse processo, de devolução da economia à iniciativa privada deveria ter tido início, avançando de forma gradual. A tudo isto, o Governo Regional fez "ouvidos de mercador". Agora, vemos o resultado das opções políticas de quem governa a Região há 36 anos e que se traduzem numa economia falida, que não gera emprego e que não cria oportunidades de investimento. O cenário agravou-se quando a 27 de Janeiro de 2012 o Executivo assinou o Plano de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF), que aumentou a carga fiscal até ao insuportável quer para as famílias, quer para as empresas. Mais grave, após ter cometido o erro (mais um), o GR, como é seu hábito antigo, não deu "a mão à palmatória" e não tenta renegociar o PAEF, como era sua obrigação, seguindo inclusivamente os passos do Governo da República, que renegociou com a troika as condições do seu próprio plano. Como se não bastasse, não mostra arrojo, criatividade, empenho, capacidade de diálogo e abertura para encontrar soluções que permitam fazer crescer a economia. Continua cego, surdo e mudo, não aceitando negociar, não querendo ouvir os parceiros, sejam os sindicatos, sejam as entidades patronais, sejam os partidos da oposição, sejam as organizações de cidadãos. Continua a sua caminhada autista, gritando a plenos pulmões que a culpa é "dos outros". Escrevo, novamente, aquilo que já escrevi e disse anteriormente: - a crise resolve-se com criatividade, com trabalho, com dedicação à causa pública e com diálogo. Se o Governo Regional não é capaz de fazê-lo, haverá quem faça. Urge repensar a Madeira.
Lino Abreu, Presidente da ACS