N.F.A. Nos tempos que correm é de lamentar certas atitudes de pessoas que nos atendem nos serviços públicos. Sou uma jovem trabalhadora, com uma mãe desempregada, com casa e contas para pagar. Durante 2 anos minha mãe esteve no centro de emprego inscrita, por várias vezes ela lá se dirigiu para pedir trabalho, quando a única coisa que lhe ofereciam eram formações sem qualquer tipo de equivalência, mas lá ia ela. Acabando o direito a subsídio e ainda sem trabalho, pedimos novo recurso que nos foi recusado, pois como eu trabalho o ordenado mínimo dá para as contas do mês (julgam eles). Sugeriram-nos pedir apoio à segurança social. Fomos saber o que era necessário e dizem-nos: "a filha trabalha, não têm direito". Recibos de ordenado tenho sim todos direitos, ordenado esse que vem quando querem e entendem. Sobre este assunto dirigi-me à inspeção de trabalho ao que fico sem reação ao ouvir: "Não recebe o ordenado!? Então não reclame como vem ou quando vem". Dizem que muitos nem se esforçam para ter trabalho, e eu digo: há quem tenha trabalho e nem se esforce por fazê-lo em condições, nem que fosse com um simples sorriso. Acho lamentável a rapidez com que nos despacham dos serviços, sem mostrar qualquer consideração, fazendo-nos voltar vezes sem conta, porque ora falta um papel, ora é o papel errado e vamos nós tentando lutar pelo pouco de direito que ainda nos resta, sem qualquer sucesso perdendo a esperança. Sei que estas pessoas não têm culpa, que não podem ajudar toda a gente, mas a verdade é que muitos têm ajuda sem dela precisar e os que realmente precisam, esses são enxovalhados como trapos velhos, muitos entregando tudo o que têm, perdendo tudo pelo que sempre lutaram.