Fico sempre surpreendido com aquilo que alguns empresários conseguem imaginar como "poupanças". A última, de há uma ou duas semanas, é uma proposta da ACIF que faria com que apenas os grupos com mais de 50 pessoas tivessem de ser acompanhados por guias. Não sei se os ditos empresários têm noção do que faz um guia (se não sabem, talvez devessem saber…), e se têm noção do que é passar um dia com um grupo sequioso de informação sobre o destino que visitam. Não sei se os ditos empresários têm noção do que estudou - e estuda - um guia para cumprir as suas funções (se não sabem, talvez devessem saber…). Um guia estudou pelo menos três anos para exercer as suas funções, e teve de demonstrar, a um júri externo, que sabia o que estava a fazer/dizer, e teve de fazê-lo em pelo menos duas línguas para além da sua. A questão da poupança põe-se na medida em que estes empresários pretendem colocar a acompanhar as excursões que vendem profissionais com menos habilitações (os chamados "piratas"), e que fornecem os seus serviços a preços mais baixos. Se é mau que um empresário arrisque a sua reputação por valores que irão, quanto muito, a 2 euros por pessoa por dia, parece-me ainda pior que um destino se submeta à vontade desse empresário e arrisque a sua reputação admitindo a utilização de profissionais menos habilitados. Mas já estou tão habituado a ver a administração regional - e particularmente a administração do turismo - a dar tiros nos pés que já nada me espanta.+ Roberto Loja [email protected]

Roberto Loja