Alberto João Jardim desfilou no Carnaval brasileiro/madeirense, como já não fazia há alguns anos, numa espécie de prova de vida da sua relação longínqua com o povo, para deixar claro, em vésperas de São Valentim, que o namoro persiste.
E aparentemente foi bem conseguido. O presidente do Governo Regional, que acertou na cor das vestes - negro integral - como a vida de muitos que governa, mas sem as plumas e os brilhos, cantou de galo mais uma vitória. “Há uns gajos que não gostam de me ver em festa”, disse. A boca deve ser para fora, por certo. Que dentro, o incómodo não se notou.
Qual o governante português que poderia se expor nesta fase do campeonato da mesma forma que Jardim, sem ser presenteado com uma vaia digna, um ovo, um tomate ou até um banho de cerveja? Assim que me lembre, só Assunção Cristas, pelo estado de graça. Imagine-se Passos Coelho ou Vítor Gaspar no Carnaval de Torres. Ou Paulo Portas a desfilar em Loulé.
O ministro das Finanças garante que os portugueses são o melhor povo do Mundo. Deve ser pelo “aguenta, aguenta”, do banqueiro Ulrich. Gaspar deve conhecer mal os madeirenses, que na sua especificidade insular portuguesa, conseguem ser melhores ainda. É aquela coisa do povo superior, que escapava à minha compreensão até agora.
A superioridade é de tal forma, que a Madeira aguenta tudo. Quase 20% de desempregados e de sorriso nos lábios, que é Carnaval e parece que o povo não leva a mal. Aguenta um casamento de 35 anos, que já teve bons momentos, mas entra na fase agonizante e de asfixia. E não só tolera a relação, porque a “família vem primeiro” às paixões mais fugazes, como vem à rua manter as aparências.
O povo aguenta e engole que as culpas são todas de fora. É também Lisboa que vai aprovar hoje uma Lei de Finanças das Regiões Autónomas que é um castigo a anos de mau comportamento e conduta. Mas a culpa é para Jardim apenas dos “gajos” que não gostam de ver outros em festa.
Nesta relação para inglês ver , o povo aguenta inclusive a traição de quem não soube ser fiel aos compromissos e agora se bamboleia estrada fora, o que é notável para a idade, mas insignificante para as funções. Visto de fora parece que estão bem um para outro, mas como em qualquer casamento ninguém sabe o que lá vai dentro.