O futebol regional sénior de futebol arranca este fim-de-semana, com a realização da Divisão de Honra, já depois dos escalões de formação terem dado início às suas provas. Mas, afinal, o que mudou no panorama de apoio ao desporto regional para que os clubes, depois de um enorme braço de ferro com a tutela, terem acedido a participar na competição regional? Afinal, quem convenceu quem que o governo ia pagar? O dinheiro, essa mola que impulsiona vontades e corações, continua a faltar. Os clubes mantêm-se em estado de agonia, mais ou menos em coma induzido pela crise, sem sintomas palpáveis de melhoras. A culpa, que antes parecia ser da Secretaria Regional da Educação e Recursos Humanos, bem vistas as coisas, transitou para a do Plano e Finanças, que tem os contratos programa para com os clubes e associações entre mãos. Pois tem, mas falta a capacidade de os concretizar. Pelo menos para aqueles fora da esfera do futebol profissional.

Afinal, os clubes perceberam, se bem que tarde - quem inicia agora a competição sem dinheiro, bem poderia o ter feito antes - que este braço de ferro com o poder regional era uma espécie de pescadinha de rabo na boca, pois não jogavam por não haver dinheiro e não recebiam dinheiro porque não jogavam. Assim, prolongam a agonia, na esperança, contudo, que a breve trecho a situação possa encaminhar-se para um sítio qualquer. Será?

Curiosa as parangonas que têm merecido os clubes, que remédio, nada vão pagar aos seus jogadores, numa clara aposta no amadorismo. Pois essa deveria ter sido, desde sempre, a prática dos clubes regionais não inseridos nos escalões profissionais que, ao longo destes anos, vaguearam por rios de profunda irresponsabilidade, criando raízes sem sustentabilidade que apodreceram em terrenos pantanosos. O futebol não profissional deveria, desde sempre, ter primado por um cariz amador, mesmo quando nos escalões nacionais, e o futebolista madeirense, à excepção daqueles que quisessem enveredar pelo profissionalismo, se o talento sobrasse para tanto, estaria preparado para outros patamares da vida. Mas os tempos eram de abundância e as reflexões escasseavam. Agora não resta mesmo mais nada, que não seja jogar por amor ao futebol e à camisola. O que não implica, isso sim, que não seja feita uma aposta cada vez mais séria na formação, de cuja triagem sairá os (poucos) que poderão enveredar pelo profissionalismo e os outros que alimentarão um futebol regional mais saudável e mais higiénico. Tal como países bem mais ricos que nós o fazem.

PS: O sensacional Paços de Ferreira ocupa o 3º lugar da Liga. Só por curiosidade, à 18ª jornada da época passada o Braga (3º então) tinha mais seis pontos que o Paços de Ferreira de hoje, e Marítimo e Sporting (então igualados no 4º lugar) contabilizavam apenas menos dois pontos que os pacenses agora ostentam. O que se explica, sobretudo, pela quebra de rendimento de equipas como o Braga (menos 10 pontos), Marítimo (menos 10) e Sporting (menos 13 pontos).

Emanuel Rosa, Repórter