Paulo Duarte de Araújo Acabei de passar dois dias no Porto Santo e a impressão que fiquei é de uma Ilha que apesar de estar cheia de belezas naturais está ao mesmo tempo amarrada em si própria tal como as correntes com cadeado que abraçam as máquinas do posto de abastecimento de combustível do centro da Vila. Não foi preciso muito tempo para confirmar que não estava sózinho nesta apreciação. Ao tomar um café num dos poucos estabelecimentos abertos, presenciei um turista que se dirigiu ao balcão a perguntar porque é que numa terça-feira a Casa/Museu Colombo estava fechada assim como tudo o resto? A resposta foi: porque é Carnaval! O turista com pinta de ser um daqueles "globe-troters" experientes que gostam de conhecer os lugares onde passam não se conformou com a resposta e olhando para o largo exterior disse: não vejo nada ! está tudo fechado e não há pessoas ! Aí , com a interpelação de dois cavalheiros que tomavam tranquilamente a sua imperial , disseram todos num inglês quase imperceptível que a festa era/foi no Domingo. O viajante insistia: então é no proximo Domingo é isso ? As pessoas hoje devem estar a dormir ? Com manifesto incómodo perante a insistência da pergunta lá conseguiram explicar que o dia de Carnaval era naquele dia mas a festa essa foi no Domingo que passou. O nosso visitante deu um AHH! como se tivesse visto a mesma imagem que eu vi. Por favor devolvam os fogareiros a carvão assando chixarros à soleira das velhas tascas (que por sinal têm fachadas lindissimas) , ponham o vinho da terra a circular nos copos, deixem os pescadores descarregar o seu peixe directamente no cais, reabram a Fontinha, devolvam o cinema ao ar-livre ... é Urgente voltar a ter um Porto Santo com Alma, com calor humano, senão não há Sétima Maravilha que resista. Nota: espero que entretanto ninguém comente no TripAdvisor que esta ilha está acorrentada tal como a bomba de gasolina.