Não vejo moita de onde saia coelho…. É normal e de boa educação no início de cada ano quando encontramos amigos e conhecidos pela primeira vez no ano desejar felicidades, votos de um bom ano e que o ano novo traga tudo o que deseja, é isso que desejo a todos. Mas pergunta o que é que o título deste texto tem a ver com isso? Tudo. Um dia destes, num encontro de amigos, depois dessa conversa habitual de como correu o Natal e a entrada no novo ano, a conversa rapidamente resvalou para as dificuldades, a crise, os políticos e tudo o mais em torno desses assuntos. No entusiasmo da bilhardice eis que chega o senhor Joaquim e repetem-se os desejos de bom ano, ao que ele reponde muito rapidamente: "não vejo moita de onde saia coelho". E alguém comenta: - Estavas a ouvir a nossa conversa? - Não, mas então?! É todos os anos a mesma coisa, se não 'avergar' o serrote ninguém me dá nada. Há algum tempo que não ouvia esta expressão, que nem de propósito se enquadrou na conversa. Se tivermos em conta que "moita" pode significar cabeça, mente, intelecto e que "coelho" corresponde a ideia, mas também é nome de próprio, esta figura de estilo, ou ditado popular, veio muito a propósito. Como que a explicar o sentido da expressão alguém acrescenta: - Mas estás falar de que coelho? É que segundo alguns caçadores daqui do norte da Madeira, o ano passado foi bom no que se refere à caça ao coelho bravo, mas devem ter ficado alguns para dar criação, senão este ano não há caça. Nova gargalhada geral porque os coelhos já faziam parte da conversa antes de o Joaquim ter chegado, havendo mesmo alguém que tenha confessado que comeu coelho à caçador na ceia de fim de ano. Vamos esperar que no ano de 2013, que segundo os professores da metrologia aqui do Norte será novamente um ano seco, chova o suficiente para crescer alguma ervinha que dê para alimentar uma nova geração de coelhos, que parece estão "hibernados" na toca.

Joel Freitas, Presidente da ACIN