Sempre me fizeram imensa confusão as várias definições que, ao longo dos tempos, se foi arranjando para o ‘serviço público’ que a TV e a rádio públicas prestavam aos portugueses. Os tempos mudaram, a realidade sócio-económica do país já não é o que era, há imensas coisas que deixaram de ser ‘serviço público’ porque o público está mais do que servido. Portanto, convém arranjarem outros argumentos para sorverem os dinheiros públicos. Concretamente em relação aos centros regionais da Madeira e Açores, a conversa é mais ou menos a mesma, salvaguardando-se uma ou outra particularidade. Mas não vale a pena os defensores do ‘serviço público’ pendurarem-se outra vez nos mesmos conceitos que naturalmente se desactualizaram com a evolução das coisas. Já que há um grande número de pessoas que leva as mãos à cabeça quando se põe o cenário de já não se justificar o ‘serviço público’, então que se pondere um modelo simples, eficaz e naturalmente mais barato para os cofres públicos. Se queremos uma TV nas ilhas, que preserve essa coisa do ‘serviço público’, então que se idealize um esquema que sirva todas as ilhas portuguesas. Devo dizer que esta ideia não é minha, colhi-a há tempos do comentário de um leitor do DIÁRIO online. Cometi a indelicadeza de não lhe ter fixado o nome, mas recordo que sugeria uma junção de interesses da Madeira e Açores, que por acaso têm muito mais factores de união para além da insularidade. A emigração, por exemplo, que seria simultaneamente uma fonte de financiamento e de conteúdos editoriais. Havia que conjugar necessidades de equipamentos, que poderiam rodar de um arquipélago para outro, em função de uma adequada definição de grandes datas e grandes eventos. Uma empresa Madeira-Açores, com um ‘patrão’ que não fosse o governo – que só pensa na forma de ganhar as próximas eleições – seria muito mais adequada. Com os olhos postos na rentabilização de meios e na coordenação de iniciativas, conseguir-se-ía algo mais barato e claramente diferenciador, em relação ao que os públicos da Madeira e Açores já têm dos outros operadores televisivos. Logo, não haveria que gastar mais dinheiro com aquilo que já está disponível no mercado, e sem custos. Obviamente os entendidos na matéria teriam a responsabilidade de suscitar todos os outros detalhes que os leigos na matéria nem equacionaram. Com uma certeza, porém: não estaríamos a criar um concorrente, mas uma TV das ilhas que respondesse às preocupações a que tanta gente chama distorcidamente de ‘serviço público’. Pessoalmente, aproveitaria para eliminar essa parvoíce a que as TV’s se auto-impõem: quando um facto é susceptível de ser comentado por um partido, têm que ir ouvir todos os outros partidos e partidozecos, inclusive organizações de uma pessoa só. Quem vos meteu na cabeça que isso é ‘serviço público’? Qual serviço? Qual público?