Esgotado o modelo, experimentamos as consequências da resistência à mudança, dando espaço à ilusão perigosa de acreditar na impossibilidade, alimentando uma frustração crescente e preferindo dar pressa ao tempo, como se o futuro perdoasse o adiamento da resolução dos atuais problemas. O sistema faliu! As dívidas acumulam-se, o desemprego é crescente, as empresas definham, outras encerram. A pobreza aumenta a autoestima confunde-se, perigosamente, com a resignação e o conformismo. Não estaremos no momento certo para impor mudanças? As evidências são por demais e só não entende quem não as quer enfrentar e prefere viver na dependência, por incapacidade ou por interesse. A Madeira habituou-se ao dinheiro que vinha de fora. A dependência financeira levou à dependência total. Hoje sabemos bem o que significa não ter dinheiro e, ainda mais grave, não ter espaço de decisão. É esta circunstância, da Madeira não ser dona do seu futuro, que nos deve preocupar a todos. Negociar a nossa vida a troco de dinheiro, dívidas ou outras facilidades de carácter imediatista é resignar a Madeira e coloca-la na posição que menos interessa ao futuro dos madeirenses. Impõe-se à Madeira desenvolver um modelo que substitua a dependência financeira por capacidade própria nas suas opções, ao contrário daquilo que hoje se vive: sem dinheiro e sem vós ativa naquilo que a nós diz respeito. Substituir as verbas que tanto se reclama por espaço de decisão no aprofundamento de uma autonomia verdadeira, capaz de decidir o que se pretende, por exemplo para o Centro Internacional de Negócios, suficiente para afirmar o nosso turismo pelo mundo, adequada para gerir uma Região pequena de forma equilibrada, onde a educação pode vir a ser um modelo e onde as especificidades próprias possam ser atendida sem estigmas de inferioridade e perseguição e, fundamentalmente, integradas numa lógica que aos madeirenses faça sentido. Quem não acredita em si próprio não tem futuro e sem esperança não há vida. Tudo dependerá de nós. Ou mantemo-nos quitados credores de boas vontades e do dinheiro fácil ou vamos à luta e afirmamos aquilo que outros há muito já provaram ser possível.

Eduardo Jesus, Economista