Carlos Santos - Comissão de Moradores Dona Zona, uma velha e centenária senhora, carrega no seu diversificado e rico curriculum "histórias do arco-da-velha", o lugarejo que a viu nascer e onde se mantém viva, foi fundado pelos seus avós, nos primórdios da colonização da ilha. Aqui, no espaço outrora designado por Stª Maria do Calhau viu a cidade do Funchal expandir-se em toda a sua plenitude. Aqui conviveu com gente do mar. Gente de" barba rija" que enfrentava o oceano. Pescadores, bomboteiros e os meninos da mergulhança faziam do mar a sua oficina onde com muito esforço e suor ganhavam o pão-de-cada-dia. Aqui, no velho campo do Almirante Reis viu nascer os checas, os chinos, os Raul Tremuras e outros artistas que com o pontapé na bola faziam as delicias de quantos aportavam a este saudoso recinto desportivo. Aqui, não nega que viu nascer alguns espaços vocacionados para a mais "velha profissão do mundo" (o que deu azo a que alguns oportunistas recentes tentassem denegrir a integridade dos seus habitantes e o passado Rico e HISTÓRICO desta localidade). É neste cenário que nasceu Dona Zona. É neste cenário, é nesta época que a palavra, o respeito e a sã convivência desta gente do cabo do calhau era prática diária. É neste tempo que as portas não tinham fechaduras. Com o passar dos anos Dona Zona, velha e cansada, assiste à constante degradação dos valores morais e patrimoniais da área onde nascera. A pouca a atenção de que era alvo provinha de alguns comerciantes estabelecidos no local há vários anos e onde a convivência entre ambos era saudável. Até que um dia correu a notícia que Dona Zona, afinal é detentora de uma enorme riqueza. De todos os lados começam a surgir "patos bravos", primos afastados, compadres, amigos de última hora. Todos reclamavam o seu quinhão. Para agradar à velha e melhor controlá-la, arranjaram algumas casas lá do sítio. Alguma portas foram pintadas com motivos interessantes. Enfim, o lugarejo onde residia Dona Zona ganhava mais vida, mais alegria, mais visitantes. Até a velha Zona, fruto destas mudanças apresentava-se mais sorridente, mais vivaça. Mas como diz o ditado" Não há velha sem senão". Eis que uma nova vaga de "amigos" de Dona Zona aproveitando esta euforia desataram a abrir tascas por todos os cantos. As tascas fechavam à hora que queriam. As bebedeiras e o ruído prolongavam-se pela noite fora impedindo os moradores do sítio de puderem descansar. Enfim, o ambiente torna-se insuportável. Após variadíssimas queixas dirigidas às Autoridades Locais, estas acharam, em boa hora, de disciplinar o horário de funcionamento dos bares. Foi com enorme satisfação que Dona Zona e os que junto dela residem receberam esta notícia apesar de sabermos a enorme pressão exercida junto da "C.M.F" para o processo ser revertido usando todos os canais de comunicação incluindo os meios de comunicação existentes como facilmente podemos debater em algumas situações . Por agora falta disciplinar o ruído para que novamente moradores, investidores e visitantes possam harmoniosamente desfrutar deste espaço que tem tanto para oferecer. P.S - Enquanto alguns ameaçam em surdina com providências cautelares para tudo voltar ao anterior, nós prometemos lutar pelo Cumprimento da Lei!... Nós, moradores congratulámo-nos com as novas nomeações da "Academia da famosa Poncha" ao galardão mais alto o "caralhinho de ouro", que espero sejam bem atribuídas pelo esforço e dedicação apresentado…