É com alguma dificuldade, que tento enquadrar algumas situações correntes neste país. Particularmente, as abordagens e os critérios de análise sobre algumas temáticas. Se não vejamos: se um desportistaé contratado por um clube estrangeiro, temos reportagensdiversas. Tudo é apresentado como o sucesso de um processo de formação desportiva, enaltecendo, como não poderia deixar de ser, as excelentes capacidades e qualidades do povo lusitano. Para uns trata-se da exportação de talentos, para outros são embaixadores, que deverão abrir portas para que outros, talentosos, sigam o seu caminho. É tudo fantástico! No entanto, se se trata de um jovem licenciado, temos a mesma sede de reportagem, mas com uma abordagem contrária. A família despede-se do jovem, como se este partisse para parteincerta. Para o país, já não é a exportação de talento, mas sim, a fuga de cérebros. A qualidade da formação, nunca é relevada. A situação é expostaporque o emprego escasseia oua possibilidade de investigação que o país não oferece.Raramente é feito umenquadramento à realidade em que vivemos. Que algumas gerações não tenham acompanhado a rápida evolução do mundo, ainda compreendomas, que a nossa geração jovem, ainda não se tenha posicionado face às novas realidades já tenho alguma dificuldade. Não estamos perante uma crise económica. Estamos sim, perante uma nova economia. Uma economia global. Uma nova era que exige, elevadas competências, talento, conectividade, criatividade e inovação. Em vez de lamentarmos, as dificuldades dos nossos jovens, deveríamos, a exemplo do que se faz no desporto, realçar as qualidades que, estas novas gerações, possuem, sejam de formação, sejam pessoais, e aproveitar para criar a tal rede de convivências globais, que nos permitissem no futuro, criar pontes, para que as práticas adquiridas no exterior pudessem ter reflexo na gestão interna do país. Só seremos melhores, quanto mais experiências conseguirmos congregar.
Jorge Carvalho, Professor