Saúde e bem estar, qualidade agro-alimentar, sustentabilidade, gestão e manutenção de infra-estruturas, bio-sustentabilidade, energia, mobilidade e alterações climáticas e tecnologias de informação e comunicação. Estas são as seis áreas que o Governo quer desenvolver nos próximos anos no âmbito do Plano de Acção para a Investigação, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da RAM. Gosto da ambição, do arrojo e da determinação mas, tudo isto sem bom senso é patetice ou intrujice. Desenhar um Plano destes baseado em seis áreas, merece uma reflexão profunda, não sobre as áreas ou sobre o Plano, mas sobre as cabeças que nos governam! O investimento em I&D na RAM é o mais baixos do país. Mas mais grave. Os 0,4% do PIB que corresponde à I&D, tem origem em estabelecimentos governamentais da Madeira, dificultando a influência destes na economia real. Este é o resultado do falhanço do investimento público que deixou sempre de fora os apoios à inovação, em detrimento do betão e do cimento. É preciso inverter estas tendências. Sobre isto não tenho nenhumas dúvidas. Mas isto não se faz "queimando dinheiro" em eventuais projectos de I&D associados a um (potencial) efeito neutro na competitividade da Região. Faz-se, isso sim, com estratégias sensatas que têm por base a realidade regional, definindo poucas prioridades de modo a assegurar resultados concretos e decisivos. Não temos nem dimensão, nem recursos para ser de outra forma. Mais que duas apostas é um luxo que se revelará catastrófico. Outra coisa distinta é a cultura de inovação. Essa deve contemplar acções pedagógicas envolvendo escolas e universidade, numa perspectiva sistemática, transversal e multi-sectorial. Não brinquem mais com o nosso dinheiro. A redução dos meios europeus para a RAM (mais uma derrota do PSD) exige mais rigor e mais responsabilidade. Cada euro utilizado deve ter uma contrapartida real no emprego e na produtividade. Não temos mais espaço para experimentalismos. Uma região com pouco mais de 250 mil habitantes, a enfrentar uma grave crise financeira que se estendeu violentamente à esfera económica e social, com um governo com uma reputação próxima do lixo, precisa de encontrar caminhos para relançar a sua economia e promover a competitividade da Região. Mas, sejamos honestos: é preciso acabar com os delírios e as confusões, deliberadas ou não, entre um programa governamental e um qualquer menu universitário para preencher currículos. Este atrevimento poderá sair muito caro!

Carlos Pereira, Deputado do PS na ALM