
Joseph Ratzinger vai resignar no final do mês. Não se demite, resigna porque é isso que faz um Papa quando acha que já não tem condições para exercer funções. O Papa resigna-se ao facto de já não ter forças para estar à frente da Igreja Católica e, aos 85 anos, dá lugar a alguém mais novo. Ou pelo menos deixa espaço para isso. Uma decisão inesperada, mas que pode significar evolução, numa das instituições mais conservadoras. Um gesto que vai motivar as mais variadas análises e que vem de um académico de renome e um dos chefes da Igreja mais polémicos.
Ratzinger, um Papa que nunca foi querido do povo, cometeu erros, mas pagou por muitos que deveriam ter sido atribuídos a João Paulo II. Durante o longo pontificado do Papa polaco, tudo o que era bom era de Woityla, o que eram barbaridades conservadoras e retrógradas eram atribuídas ao seu braço direito, Ratzinger. Mesmo quando era o Papa a proferi-las. Injusto, mas os endeusamentos são assim: cegam o povo.
A resignação do chefe da Igreja católica deveria ser um exemplo, como normalmente acontece com tudo o que vem do Vaticano, bom ou mau. O líder reconhece que é tempo de deixar espaço para outros e afasta-se.
Infelizmente, este deve ser um dos exemplos menos replicados por todos os que deveriam reconhecer que o seu tempo também passou, mesmo que, ao contrário de Joseph Ratzinger, sejam mais parecidos com o Papa polaco, a quem tudo era (é) perdoado.
Na vida, há momentos em que é preciso resignar-se, nunca quando isso significa baixar os braços perante a adversidade ou a injustiça, mas para assumir o correr do tempo e tentar sair pela porta grande. Seja a porta da Basílica de S. Pedro, ou outra qualquer.