Vivemos, aprendemos e relembramos. A memória tem, desta forma, um papel fundamental nas nossas vidas e, no colectivo, tem-no mesmo na construção da História de cada povo. A memória, penso, não existe se não for relembrada. Enquanto representação da experiência humana, é uma forma de cada qual se compreender e de se definir e de assumir uma identidade. Muitas vezes a memória é utilizada como veículo do testemunho e o indivíduo pode narrar as suas vivências e acontecimentos em que esteve envolvido. Se um povo não preservar a sua memória perde a sua identidade, e esta perda identitária é a morte cultural de uma nação. A partir do momento em o acontecimento é partilhado com outros, a sua memória assume uma parte essencial na ideologia e na história da sua cultura. A Memória é fulcral na Cultura e sem memórias tudo se perderia. As tradições são passadas dos mais velhos para os mais jovens ao longo dos anos, quer por registos, quer pela oralidade. Mas a tradição oral, ao contrário da que é registada, só é assegurada pelo contacto directo entre gerações. Assim, os contadores de histórias devem formar outros contadores para que estes perpetuem o que é necessário narrar, e todos ajudam a formar memória, cultura e identidade. Não é apenas o que vivemos que constrói o que somos, também o que aprendemos com os outros e até o que imaginamos. Sem memória, contudo, a vida humana não ficaria qualquer sentido!

Filipa Silva, Colaboradora da AAUMa