Severino Olim Passados 122 anos sobre a revolta republicana encabeçada por militares de baixa patente e intelectuais da cidade do Porto, descontentes com o ultimato de 1890 do governo britânico a Portugal e com a degradação das condições de vida dos portugueses resultante de uma época marcada profundamente por uma crise económica, social e por um enorme descrédito das instituições governativas onde a corrupção instalada e a inoperância da produtividade e da dignidade das mesmas aliadas à bipolarização da vida politica (regeneradores e progressistas) conduziram ao epicentro das causas desta revolta que , infelizmente, foi retraída nas suas bases e energicamente vencida. Apesar dos seus ideais ser moldados nos desígnios de liberdade e de uma verdadeira justiça social nunca deixou de ser sempre comemorada por homens e mulheres de pensamento livre e de firmes convicções, nomeadamente na cidade invicta onde se juntam em romagens ao cemitério do Prado do Repouso , em manifestações e em jantares comemorativos que ainda se fazem em algumas cidades do Pais, envolvendo centenas de cidadãos em uniforme disponíveis em participar na defesa dos princípios e valores consagrados na nossa constituição. Os germes desta revolta nunca morreram e têm servido de pontes de lançamento para outras manifestações deste género que ocorreram na esteira do tempo do séc. XX com muito mais valor acrescentado quer no alento quer na coragem de todos os portugueses que sonhavam e lutavam contra os ditames do fascismo, contra a guerra colonial, por um país livre e pela instauração das liberdades democráticas. A importância capital deste movimento de revoltosos foi de tal ordem provocadora no âmbito das consciências politicas e sociais, que de norte a sul do Pais encontramos ruas e avenidas com o nome de 31 de janeiro como é o caso da avenida da cidade de Braga. A Madeira, nesse período histórico, vivia acorrentada aos seus rochedos de miséria cultural e de fome, motivos que não deixaram indiferentes seus governantes em aderirem a esses valores, levando com que fosse alterada a toponímia da rua da princesa, situada na margem esquerda da ribeira de Santa Luzia, para rua 31 de Janeiro. Hoje, como nunca, saibamos olhar o exemplo dos homens que corporizaram essa revolução e ser continuadores das suas convicções não permitindo, assim, que uma nação velha de seculos seja colocada de joelhos perante as exigências asfixiantes de potencias estrangeiras como FMI e Troika em conjunto. Saibamos defender, apaixonadamente, esses princípios do 31 de janeiro de 1891 para que possamos dar um futuro com esperanças e firmeza aos nossos filhos e às gerações vindouras desta Terra sufocada por taxas, impostos e desemprego galopantes.