Ouvi recentemente um alto dignitário local explicar, aquando da apresentação do orçamento para 2014, que a estratégia para o desenvolvimento da Região assentaria em 5 pilares, enumerando de seguida cada um deles. Confesso que não os memorizei, pois a minha atenção fixou-se especificamente na questão dos pilares não sabendo eu, mesmo que o tivesse ouvido, se seria posteriormente capaz de discutir o número avançado; provavelmente não... Tenho a certeza que o Turismo terá sido mencionado pois, com excepção do pormenor de, em termos de PIDDAR (o plano de investimentos previsto, para os mais distraídos), não ter nunca correspondência na prática, na retórica esta é sempre uma área considerada vital. A Zona Franca também constará, certamente, mas nada se pode fazer, já se sabe… Voltando à vaca fria e aos pilares, pensei ao ouvir o digníssimo responsável que realmente aquela era uma triste verdade… Depois de anos e anos a aproveitar fundos europeus, que é como quem diz se tivesse caracteres suficientes, a gastar à tripa forra, a construir estradas, pontes, viadutos, marinas, centros cívicos, piscinas e tudo o mais que necessitasse de sustentação em cimento, os próximos tempos serão necessariamente para ressarcir quem financiou a parte que nos cabe pagar e, evidentemente, quem construiu! Desconfio, aliás, que o número de pilares em dívida é tão grande que estaremos condenados, não somente nos próximos dois mas para os vinte anos que aí veem a não fazer mais nada que não seja pagá-los. Mas, para meu espanto, eles continuam a crescer, os pilares, seja lá por que Lei de Meios for; parece que não sabemos fazer outra coisa… Adivinho o que dirão os que não concordam comigo: - vão repetir o tal argumento do aproveitamento dos fundos comunitários a que acrescentarão o da alavancagem aos investimentos privados. Dão-se alvíssaras a quem conseguir apresentar um exemplo de sucesso a este nível, com a honrosa excepção do aeroporto da Madeira… Boas Festas!
André Barreto