Sei que teria assuntos mais importantes para falar neste espaço tais como a fome, a pobreza extrema, os desempregados que não conseguem alimentar as famílias, as crianças que apenas tomam uma refeição na escola ou nos jovens “obrigados” a emigrar. Mas enquanto o Dr Jardim tentar fazer de mim e dos cidadãos madeirenses, uns saloios ignorantes e enquanto denegrir o nome da minha terra, ele será o tema e dele falarei até que a voz me doa. Não sei se por senilidade ou premeditação sempre que abre a boca na comunicação social ( JM incluído) sai asneira da grossa o que faz passar a imagem que somos uns tolos incultos vagueando, de tanga, na floresta de uma ilha que pertence a este senhor e amigos dele. O homem continua convencido que é o dono da razão, da Madeira e dos madeirenses. Por isso cabe-nos, enquanto povo pobre mas digno, mostrar ao mundo que ele não é a voz de um povo que, inebriado por uma conjuntura inédita pós 25 abril, lhe deu a primeira vitória e ele soube aproveitar-se para subtilmente continuar por mais três décadas. Se fosse instituído um prémio para as declarações mais hilariantes do ano o Dr. Jardim ganhá-lo-ia, de certeza, quando em entrevista à RTP afirma, que a maioria dos madeirenses não lêem jornais. Então para que enterra ele milhões no J.Madeira sabendo que a “minoria” apenas lê o DIÁRIO? ainda na mesma linha de contra senso está a admitir que aquele povo que ele um dia classificou de superior passou, num ápice, a analfabeto. Continuando o chorrilho de asneiras fala na ordem dada à EEM para execuções de dívidas às Câmaras mas que não eram para executar (?) enfim uma trapalhada monumental que só envergonha um povo que tem um governante destes. Só mesmo o seu amigo médico é que acredita que as artérias cerebrais não foram atingidas pela incapacidade. Por último oferece uma rica prenda de natal aos madeirenses que lhe deram tantas vitórias ordenando aos 4 Deputados do PSD-M na A República para votar a favor do pior Orçamento de Estado que a Madeira já teve. Mas isto não tem nenhuma importância desde que ele continue comodamente a acumular dois vencimentos (ordenado mais reforma) sem um pingo de vergonha ou remorso face a tanta gente que ele ajudou a pôr na miséria. Este é o mesmo inane que apregoava no chão da lagoa que fazia tudo em defesa da Madeira e dos madeirenses. Ainda a poucos dias, em conversa de café, ouvi um frase bem ilustrativa do momento que a Madeira atravessa; antes perguntava-se a uma família se tinha alguém desempregado. Hoje pergunta-se a qualquer família se tem alguém empregado. Por outro lado, infelizmente, o país também não está melhor. Portugal está a saque! Vende a PT, vende a EDP, vende os estaleiros navais, privatiza os CTT e as empresas que dão lucro e fica com as deficitárias. Como viverá um país, no futuro, delapidado no seu património e com uma dívida descomunal e astronómicos juros vincendos? Como se não bastasse assiste-se a uma perseguição atroz por parte do fisco, na ânsia de conseguir receita, onde até os fiadores (pais para ajudar os filhos) estão a ser penhorados nos seus bens, salários e pensões. Num país com um cenário tão negro como poderá haver paz e estabilidade social? Será que é Mario Soares que está senil quando fala num futuro de roubos e violência? Acredito piamente que “a política tornou-se uma central de negócios e favorece a corrupção” por isso nego-me terminantemente a aceitar a crise tal como os governantes a pintam uma vez que, tal como noticiava a C.Social, as grandes fortunas em Portugal duplicaram recentemente. Inclino-me sim para um protecionismo egoísta e hipócrita entre os mais poderosos da política e os mais poderosos do dinheiro descurando perigosamente a vertente social. Até o Papa já se mostrou preocupado com o poder dos grandes grupos financeiros que estão a empurrar o Mundo para a pobreza e exclusão social. Com indicadores tão alarmantes receio que o povo comece a mostrar a sua força antes que a escravatura moderna se instale definitivamente. Fiar-se nos especuladores, está provado, que não terão dó nem piedade. Cabe aqui uma citação de Charles Chaplim “não devemos ter medo do confronto. Até os planetas se chocam e daí nascem as estrelas. Perante tanta ganância uma coisa me confunde; a quem interessará uma Europa periclitante com uma economia estagnada, com cidades paradas e pessoas tristes? depois dos agiotas insaciáveis arrastarem o Mundo para a miséria- Portugal é um exemplo- o que restará para eles explorarem? A quem irão emprestar o seu infindável dinheiro e cobrarem os juros? Estes inidiosos, cegos pela ganância matam a galinha dos ovos de oiro ou seja o seu próprio negócio. Aproxima-se o Natal. Será que os egoístas responsáveis por esta situação que terão uma mesa cheia de tudo conseguirão digerir a fartura sabendo que a grande maioria tem uma mesa cheia de nada? Apesar de tudo, a todos os atingidos pela incompetência dos governantes, desejo... o melhor natal possível.

Juvenal Rodrigues