Temporada artística 1993/1994, 1º concerto. Após a peça de abertura, o maestro e concertino húngaro, Zóltan Sánta dirigiu-se ao público e disse que a Orquestra não tocaria mais naquela noite. Esta tinha sido a forma de protesto pelo atraso de 6 meses de ordenado aos músicos. Destituído nessa noite do cargo, deixaria a breve trecho a Madeira. Sucederam-se outras tutelas. Concentremo-nos na época 2000/2012. Ao longo deste tempo, foram atribuídos cargos, pelouros e competências ao maestro de então, o que segundo muitos, potenciou as situações anómalas que todos conhecem. Virada a página, lemos na comunicação social, que os cargos de Diretor Artístico, Concertino e Secretário da Direção, foram confiados a uma só pessoa. Nada contra! Soubemos também que 9 maestros asseguram a temporada, pressupondo contrato avulso e sem vínculo artístico à Orquestra. Uma opção! Podemos até imaginar que serão contatados pelo Diretor Artístico, que a ligação aos músicos será assegurada pelo Concertino e que, outros assuntos emergentes, poderão ser tratados pelo Secretário, juntando assim diferentes questões numa só entidade. Nada a opor! Vamos às perguntas: na época 2000/2012 quem era o braço direito do maestro? Quem fazia a ligação dos músicos ao maestro? O que fez, ou disse, quando a Orquestra entrou num plano inclinado, alegadamente, pelos devaneios e culto de personalidade do anterior responsável? Para a História da Música da Madeira fica a Lição de Zóltan Sánta, que não sendo madeirense, ousou levantar-se do chão para defender o coletivo! A verdade, não tem prazo de validade mas tem o aroma de uma rosa branca. Descansa em paz Zóltan Sánta!

Vítor Sardinha Músico