2014 não pode ser pior do que este que dá os últimos suspiros. Ou se calhar pode? Em todos os sectores da vida madeirense, não se augura nada de melhor, mas há uma grande expectativa, que se consubstancia na previsão de Ventura Garcês, secretário regional do Plano e Finanças, quando disse, na discussão do orçamento regional, que a Madeira vai dar lucro. Fiquei a matutar com tamanha confiança nesta argumentação e afinal já sei como vai a Madeira dar lucro: a exportar presunção. Nisso temos para dar e vender. Temos a presunção de um povo superior, a presunção do melhor rali do mundo, da maior piscina, do fogo de fim-de-ano no guiness, enfim, de uma série de obras e acontecimentos em que a Madeira sempre foi superior. Esta presunção exportada poderá ser uma saída para a crise que nos assola, enquanto ficamos à espera que tantos problemas se resolvam.
Na área desportiva, que é aquela que mais gosto de escalpelizar, nem a presunção nos vai valer de ter um ano melhor. No futebol profissional, o quadro que se traça é de sobrevivência, mesmo que Nacional e Marítimo continuem a esgrimir argumentos que os possam fazer aguentar-se no mais alto patamar do futebol português. Durante quanto tempo, não se sabe. E aqui colocam-se ainda o andebol e o basquetebol. Depois, no quadro desportivo geral, não há perspectivas de retoma naqueles que foram outrora grandes acontecimentos desportivos, nomeadamente no que diz respeito ao Rali Vinho Madeira, por exemplo. Também no que concerne aos quadros competitivos regionais, aos mais diferentes níveis, certamente não será um ano para grandes retomas.
Mas há ainda outras coisas que nos fazem aguardar, com alguma expectativa, o novo ano que aí vem. Avançarão mesmo as obras no estádio dos Barreiros? Vai mesmo o governo regional sair da SAD do Marítimo? O presidente do Marítimo não vai mesmo às compras neste mercado de Inverno, que abre precisamente no início do ano novo? A ser assim, terá o Marítimo condições para concretizar as suas ambições? Vai o Nacional, pese embora as dificuldades e o recurso ao mercado africano, atingir o objectivo Europa a que se propôs? E terá todas as condições reunidas para o efeito? Vai o presidente da União SAD, em contraste com um centenário C. F. União paralisado, continuar a reivindicar os Barreiros? Enfim, tanta coisa que o novo ano tem para nos dar!
Resta-me desejar a todos quantos se dignam ler estas linhas um Feliz Ano Novo.
Emanuel Rosa