Caro Pedro, Na resposta à mensagem de Natal que nos dirigiste, que li com atenção e na íntegra, aceita estas minhas palavras. Anotei a tua opinião de que «durante demasiado tempo toleraram-se em Portugal fortíssimas desigualdades, quase sem paralelo na Europa, e resignámo-nos à estagnação social». Estranho Mundo aquele em que vives, pois esse facto que agora assinalas tornou-se mais claro como quase nunca, no pós-25 de Abril, durante a tua governação: o país que tu vês crescer não existe, as esperanças que nos lanças não existem, como não existe no teu discurso e no teu pensamento político uma ideia que não passe por cortar nas despesas sociais do Estado, para atingir a percentagem que persegues do défice face ao PIB. Não sabes Pedro, porque não sabes mesmo, o que é chegares a velho e teres de viver com menos de 400 euros por mês (ou menos) de pensão. Não sabes Pedro o que é ter de tirar comida da mesa, pedir dinheiro emprestado, comprar roupa ou pneus em 2ª mão, roubar sonhos aos teus filhos mesmo com um sorriso na face, tentando ensinar-lhes que a igualdade um dia também lhes sorrirá. Não sabes Pedro o que é não conseguir emprego, mesmo quando és jovem e letrado. Temos uma das maiores taxas de desemprego jovem da Europa e o país que governas conhece por estes dias o maior êxodo (emigração) dos últimos 40 anos. Não sabes também Pedro que o “brutal” aumento de impostos a que nos sujeitaste destruiu muita coisa que não volta, como agora dizes, nas projeções económicas para 2014. Não apenas nos tiraste o dinheiro, os sonhos e as ambições. O que esta “poupança” está a fazer, e que tu não vês Pedro, é dar cabo de um país. E o país não é social-democrata, socialista ou comunista; o país são os portugueses. E olha que alguns dos melhores já se foram daqui embora. Não tinhas de nos prometer este Natal “sangue, suor e lágrimas” como Churchill fez em tempo de guerra, mas esperava que conseguisses entender que a política como carreira (aquela que um dia te dará a ti como deu ao Vitor Constâncio, ao Durão Barroso e ao Vitor Gaspar um confortável assento na Europa) não nos vale de muito a nós. Se não tiveres visão e não conseguires influenciar o pensamento político dominante em Berlim ou em Bruxelas, de muito pouco terá servido a tua passagem pela política. Por isso Pedro, quando me dizes que «(…) no Portugal em que todos se reveem, ninguém pode estar condenado à frustração dos seus sonhos simplesmente porque vive naquela região mais remota, neste bairro mais periférico ou porque nasceu em condições sociais e familiares mais adversas», nem sei bem o que te diga, sabendo porém que a realidade em que vives é paralela àquela em que nós existimos. Não é, de todo, a mesma. [email protected]
Luís Sena-Lino Consultor de Marketing