No arranque da jornada 14, em jogo disputado em horário de Liga Europa, a divisão de pontos foi o melhor que o Marítimo alcançou frente ao Sp. Braga. Foi o terceiro empate em casa e o terceiro empate consecutivo. E, à semelhança dos anteriores, fica um amargo de boca, pela simples razão que poderíamos perfeitamente ter atingido a totalidade dos pontos em disputa.

Se em Coimbra tivemos que ir em busca do prejuízo, frente ao Braga tivemos uma espécie de repetição do jogo contra o Nacional. Mas desta vez o Marítimo até nem se pode queixar fruto da bela vantagem que conseguiu ainda na primeira parte. A bonita moldura humana que se deslocou ao estádio dos Barreiros viu o Marítimo ganhar um avanço de dois golos, em mais uma prova da eficácia ofensiva deste ano. Porém, no reverso da medalha, também viu, e ainda antes do intervalo, o adversário atingir as nossas redes. E se não é desatenção defensiva é a “bondade” deste Marítimo a vir ao de cima. Desperdiçada a vantagem no resultado e a vantagem psicológica dos dois golos, foi ver uma inteira parte a tentar manter a diferença – o que é um risco tremendo para uma equipa que tem as conhecidas e graves lacunas defensivas. O resultado só poderia ter sido este. Mais um golo sofrido (o 27º da época no campeonato!!) e mais dois pontos desperdiçados.

Na minha opinião há duas razões fundamentais para isto: o erro estratégico de Pedro Martins na segunda parte (sim, também os comete). Ao tirar o Artur e deixar o inepto João Luiz dentro de campo (já nem comento), a equipa deixou de fazer as transições, praticamente deixou de criar perigo (com uma ou outra excepção) e, mais grave, deu a bola ao adversário, recuou no terreno e deixou-o aproximar-se da nossa baliza. E, sejamos honestos, tão pouco fez o Braga para conseguir o tento da igualdade, que o ponto que leva para casa é extremamente lisonjeiro, o que, por outro lado, diz bem da exibição cinzenta do Marítimo nesta segunda parte.

A outra razão, que não posso deixar de apontar, foi a péssima arbitragem do árbitro Rui Costa. Mesmo sem ter tido decisões graves, a verdade é que apitou muitas vezes, na maior parte em desfavor da turma verde-rubra. A título de exemplo veja-se a expulsão do Derley (que felizmente até nem será muito gravosa visto que cumprirá o castigo na Taça da Liga). Alegou que o jogador do Marítimo atingiu o adversário com o cotovelo (alguém ainda irá me explicar como é possível saltar com os braços colados ao corpo). Porém, minutos depois, não teve o mesmo critério quando o lateral do Braga atingiu também com o cotovelo o João Diogo, mesmo junto ao banco dos minhotos. Isto é o que eu critico, dois critérios, duas medidas. Não gosto de me desculpar com os árbitros, até porque considero que não vencemos esta partida por nossa culpa, mas já diz o ditado que “quem não se sente, não é filho de boa gente”. Não posso deixar de lamentar o comportamento dos adeptos do Braga que, para além dos distúrbios no centro do Funchal, ainda transportam a sua má índole para o estádio do Marítimo. Mas é ainda mais censurável a atitude de um dos filhos da terra, que pelo seu comportamento no final da partida, alimentou a fúria dos adeptos (os da casa e o dos seus próprios em resposta). O Rúben Micael, como figura pública, tem responsabilidades acrescidas e deve-o saber em todos os momentos. O que fez nos Barreiros não só não abona em seu favor, como também mancha aquilo que é suposto ser um espetáculo para toda a família! Nada está perdido e tudo está por conquistar. O Marítimo ainda está em competição nas Taças e dista a pouca distância dos lugares propostos. Faltam 16 jogos e estão em disputa 48 pontos. Saibamos corrigir o que está mal e acredito piamente que lá chegaremos. Esta é a prenda que desejo a todos os Maritimistas. Nesta quadra festiva, termino com votos de um Feliz Natal a todos os leitores e um ano novo sempre melhor que aquele que finda.

Luís Miguel Rosa