Da semana para lamentar que passa ficam sob suspeita:
Carlos Pereira. Dadas as ligações privilegiadas com alguns poderes, não admira o súbito e legítimo interesse pela RTP-M. Mas será que está a contar que sejam os madeirenses a sustentar o negócio de privados através do contributo imposto, a polémica taxa de audiovisual?
Jaime Ramos. É livre de dizer o que lhe passa pela cabeça. Mas deve medir e assumir as consequências dos estigmas que, sem coragem, não particulariza. Se “há jornalistas em empresas de comunicação social que recebem contrapartidas para publicar notícias” – e o político director de um meio confessional deve saber do que fala – cabe-lhe apresentar provas das acusações que faz. E se não fizer voluntariamente, o Ministério Público, dada a gravidade da suspeita, devia obrigá-lo a tal trabalho. Para que se dissipem dúvidas que quis, maldosamente, generalizar.
Jardim Ramos. Percebeu-se que não tem voz activa na pasta que lhe está atribuída. Viu-se no debate do Orçamento que apenas fez uma referência vaga à comunicação social que tutela. Para dizer que “o Governo assegurará as condições necessárias à defesa do interesse público regional e o das comunidades madeirenses, em matéria de informação, assegurando a pluralidade”. Ora, como é público, este Governo é acusado pelo regulador de comprometer de forma séria e grave o pluralismo na imprensa regional, pelo que a contradição só demonstra que anda a leste do essencial.
Alberto João Jardim. Fica fulo quando lhe acenam com a acumulação de salário e reformas. Tanto que tudo serve para justificar o brinquinho. Argumenta até que “há dinheiro para pagar ao Sócrates para dizer mentiras na RTP”. A esse nível, não tem água com que se lave. E os mais de 3 milhões de euros anuais espatifados no JM, usados em proveito próprio e na campanha de intoxicação de opinião pública e de ataque sem pudor a colegas de partido e adversários políticos?
Miguel Mendonça. Até Marcelo Rebelo de Sousa diagnosticou a insensatez na forma como lidou com mais um caso em que faltou a elevação que tanto recomenda. Legitimar o uso da força é um perigoso sinal de fraqueza.