“Portugal não tem partidos de direita, de esquerda, de nada, tem um bando de salafrários que se juntam para roubar juntos” (José Saramago).

100% do que nos tem acontecido desde 1974 é da responsabilidade, quer do PS, quer do PSD, sós, juntos, ou ainda coligados com o CDS. Mais ninguém governou este país. O passa-culpas não funciona, para um lado ou para o outro. Cavaco Silva, Guterres, Durão Barroso, Passos Coelho foram delapidando o país, vendendo a nossa soberania às postas, hipotecando euro a euro o nosso futuro, roubando cêntimo a cêntimo o nosso presente. Mentem deliberada e ostensivamente, fazem no dia seguinte exactamente o contrário do que prometeram fazer ou não fazer na véspera, na mais perfeita impunidade. O nosso sistema pura e simplesmente não permite que sejam “chamados à pedra”. Nomeiam-se comissões parlamentares, cuja única vantagem consiste em trazer à tona vozes discordantes, depoimentos técnicos e testemunhos na primeira pessoa, sendo que tudo isso pouco importa pois o relatório reflectirá apenas a posição do partido maioritário, como recentemente aconteceu com a comissão dos SWAP’s. Apesar de toda a prova produzida, as acusações passaram por Maria Luís Albuquerque como água em penas de pato, ou seja, por muita que seja a água não cola nem uma gota. Eles põem e dispõem, ultrapassam os orçamentos, os seus níveis de competência, tomam decisões que nos comprometem, aos nossos filhos, netos e bisnetos, nos condenam à miséria presente e futura, vendem aos amigos o que era nosso, o que os nossos avós, pais e nós construímos. Foi assim com a REN, a EDP, os CTT, etc. A próxima será a água que todos bebemos. Reparem nos eleitos, escolhidos e nomeados nestes 40 anos, que são sempre os mesmos, ora uns, ora outros, e que, quando não estão no governo, fazem umas “estações calmosas” em sociedades de advogados, empresas públicas, preparando o seu regresso triunfal, pois em breve chegará novamente a sua vez. Li algures que são 2 ou 3000 criaturas que rodam à vez pelos ministérios e EP’s. Quem é esta gente afinal? Estão lá por serem da confiança pessoal do presidente do partido que os nomeou, que supervisiona pessoalmente as listas de candidatos e cujo critério de selecção consiste numa dedicação canina ao chefe. Como se explica doutra forma a aprovação por unanimidade das decisões escabrosas tomadas pelo atual governo? Não há ninguém com o sentido de pátria? Com o sentido de País? Quando o(s) governo(s) propõe(em) ao parlamento as decisões que apenas servem os amigos, lato ou stricto senso, estas são votadas por unanimidade, por um bando amorfo, cuja única preocupação e a de estar a bem com o chefe e apresentar serviço à finança a quem servem. Como se explica o gás mais caro 16€ por garrafa do que em Espanha? Como se explica a gasolina mais cara antes de impostos? Como se explica a energia eléctrica mais cara da Europa e que vai voltar a subir significativa e brevemente? Como se explicam as telecomunicações mais caras? Tudo isto que seriam monopólios naturais do estado, pelo serviço que prestam e o impacto que têm na vida das pessoas, foi privatizado, entregue nas piores alturas de forma mais ou duvidosa a consórcios sem um pingo de consciência social, que esmifram o que querem sob o beneplácito de figuras de fachada chamados reguladores, que mais não fazem do que servir de pára-choques a essas grandes empresas, negando por uma forma ou outra, provimento às legítimas reclamações dos utentes. Os seus dirigentes são principescamente pagos (por nós consumidores), apesar de trabalharem num mercado protegido de qualquer concorrência. Se repararem, sempre que se pretendem dirigir a qualquer destas empresas, só o poderão fazer através de um número começado por 707, que é um número de valor acrescentado. Ou seja, quando o seu fornecedor de Internet, telefone, ou outro, tem uma avaria, quando não lhe presta o serviço que você está a pagar e que você lhes telefona a comunicar tal fato, fica-lhe a chamada em 3, 4 ou 7 euros, dependendo do tempo de “seca” que lhe deram quando o puseram a ouvir música. Neste momento assiste-se a uma autêntica simbiose entre as leis e os interesses da finança e dos poderosos e a impunidade total das suas acções como acabo de referir. A título de exemplo denuncio uma situação que diz respeito num contrato com a Vodafone: Na renovação de um contrato, cuja única benesse consistia em 60m de conversação (escrito em local discreto) e nunca referido pelo vendedor. Em troca desses 60m, ficamos fidelizados por 2 anos a um contrato, cuja rescisão nos importará em cerca de 800€. A isto chama-se contrato leonino, em que uma parte dá tudo, em troca de nada, que beneficia exclusivamente uma das partes, entrincheirada por de trás de gabinetes de advogados. O governo acabou pura e simplesmente com a figura do “provedor do utente”, porque esta fazia algumas cócegas a estas corporações. A este emaranhado de interesses político/económicos os donos do poder chamam democracia. Novos ou diferentes partidos precisam-se porque estes estão corroídos e entranhados até à medula por uma determinada forma de estar e fazer política que, como assistimos todos os dias, levarão o país à ruína. Sócrates hipotecou-nos, estes, desmontam e vendem aos amigos o país às peças, destroem a educação, a “geração de ouro” vai-se embora, negam apoio a 1.000 cientistas e investigadores, matam não só o presente como o futuro, retiram o sustento aos reformados. As pessoas deixam de fazer filhos. Para esta gente qualquer direito ou Estado estão a mais. Precisamos que os deputados antes de integrarem as listas sejam referendados em primárias pelo povo e perante este respondam, em vez de o fazer perante os Passos Coelhos deste país. Precisamos que os mentirosos e os vende pátrias vão para a cadeia, que aconteça aos financeiros corruptos o que aconteceu aos islandeses. S assim se acaba o presente sistema de ladroagem e teremos uma efetiva democracia.

Hélder Melim