Os conservadores estão sempre errados. Esta é a conclusão a que se chega, olhando para a História, para as grandes mudanças sociais, políticas e científicas. Os conservadores estão sempre do lado errado. Mesmo que bem intencionados e convictos da sua posição, estão sempre a marchar errado.

Foi assim na abolição da escravatura, da pena de morte – que só os países civilizados e as sociedades evoluídas aboliram -, o voto das mulheres, o fim da segregação racial, das perseguições devido à orientação sexual, do reconhecimento da democracia como o único regime decente e toda uma longa lista de situações que, hoje, são dadas como certas entre pessoas que mereçam ser assim tratadas.

Também na ciência, os conservadores foram contra a ida à Lua, a evolução das espécies provada por Darwin, a inseminação artificial e praticamente tudo o que era progresso. Se a lógica do Homem não fosse a evolução, se tivessem vencido os conservadores, ainda hoje se ensinaria às crianças que a Terra era plana e que Adão e Eva existiram.

Mas mesmo sabendo que estão sempre do lado errado da História e, quase sempre ignorando o respeito pelo próximo – uma incoerência porque quase sempre os conservadores são religiosos fervorosos -, não desistem. Pior, produzem um exemplar ainda mais triste: o jovem conservador. Verdadeira negação do conceito de juventude que é sinónimo de irreverência e desejo de mudança.

Em Janeiro, a Assembleia da República vai assistir a um episódio ridículo, promovido por conservadores. Vai voltar a discutir a co-adopção, uma lei que já deveria estar em vigor há décadas e que é do mais humano e justo. Na prática, o que pretende legalizar é o direito de paternidade, de um dos membros do casal – hetero ou homossexual – sobre o filho do outro parceiro, em caso de ser essa sua vontade. Os conservadores acham que não.

Confesso que já tive muitas reservas em relação à adopção de crianças por casais gay, mas hoje já não tenho. Não tenho dúvidas de que não é a orientação sexual de cada um que o torna bom ou mau pai.

A lei até pode ser rejeitada, pode andar tudo para trás, mas uma coisa é certa, a História, como sempre, vai acabar por deixar os conservadores do lado errado.