Admito, sem me envergonhar, que fui, talvez, uma das crianças que até mais tarde acreditou no Pai Natal! Um dos meus irmãos mais novos tomou como missão revelar-me a verdade, mostrando-me onde se encontravam escondidos os presentes que o “bom velhinho” nos iria pôr nos sapatos, esmeradamente engraxados, que colocávamos na chaminé. O Natal com o “bom velhinho” começava muito antes do dia 25 de Dezembro, penso que quase com o nosso regresso à casa de Lisboa depois das férias grandes à beira-mar. A partir dessa altura ele entrava novamente nas nossas vidas para ver o que de bom ou de mau nós fazíamos e recompensar-nos nos presentes que teríamos. Ele controlava se nós comíamos a sopa, se fazíamos maldades ou se a nossa educação não estava nos padrões dos meninos muito bem comportados. No fim nós éramos recompensados pela magia que ele fazia na nossa casa. Durante a noite de 24 para 25, entrava pela janela carregando um pinheiro enorme (que chegava ao teto) que enfeitava, compunha um presépio com imensas figuras, com montes e vales, ia buscar os nossos sapatos junto da chaminé e colocava todos os presentes junto dos respetivos sapatos por debaixo da árvore de Natal. No dia 25 quando acordávamos de madrugada com a excitação de ver as prendas, a casa de jantar estava toda enfeitada pelo Pai Natal e nós tínhamos à nossa espera as prendas, muitas das quais constavam da nossa carta, mas sempre com surpresas… Com toda esta magia era impossível não acreditar na existência deste ser extraordinário chamado Pai Natal! A grande diferença entre o Pai Natal e o Estado Social é que quando acabou a magia do primeiro, este não tinha deixado dívidas para pagar enquanto quando acabou a do segundo ficámos com uma dívida enorme. Mais grave ainda é continuar a existir Portugueses que acreditam nos golpes de mágica do Estado dito “Social”. Feliz Natal e um Ótimo 2014 … um obrigado para o Pai Natal!

Pedro Telhado Pereira Professor Catedrático