Cristiana de Sousa O Natal ou a Festa, é sem dúvida alguma a época mais importante para o povo Madeirense, e a véspera é ainda melhor que o dia. Sendo eu natural da Freguesia da Camacha, tenho tido a oportunidade de presenciar uma transmutação da “tradicional” noite de Natal na minha terra. Já há alguns anos para cá que tem havido uma maior afluência de pessoas de outras freguesias nesta noite na Camacha. Certamente que numa primeira instância isto nos parece ser algo positivo pois sugere um incentivo à cultura popular e tradicional da nossa região como também contribui para o comércio local. Agora aquela que é para muitos de nós a verdadeira Noite de Natal, tem sofrido muitas transformações. Não digo que se tenha deixado de praticar alguns costumes, acontece é que estes mesmos costumes têm sido brutalmente desrespeitados, sobretudo por muitos daqueles que vêm de fora e que não nos compreendem, nem querem compreender. Chegam ao centro da Camacha e instalam-se comodamente nos seus carros apetrechados de (variados) mantimentos, colocam no volume máximo a pior música que têm e dá-se início às então “tradicionais” discotecas. A verdade é que cada um é livre de fazer o que bem lhe apetece, só que me parece inadmissível que isso ocorra durante as cerimónias e a passagem das romagens dos pastores para a Igreja (que enquanto cantam e tocam as suas romarias, estão a ser constantemente sobrepostos pelas tais discotecas). É de relembrar que o Natal é tempo de Festa, e que a Festa é tempo de convívio e alegria, não esquecendo o respeito pelos costumes e tradições de um povo, que conhece e preserva a sua identidade cultural acima de tudo.