Jorge Martins Em ambiente Natalício, fui hoje confrontado com duas notícias que merecem uma reflexão profunda, que porque aqui não caberá, exige, pelo menos, uma referência enfática, ainda que epistolar e necessáriamente “coxa “ por óbvia falta de espaço. Refiro-me em primeiro lugar à atitude do Sr. Presidente da Assembleia Regional , que , ao arrepio de todas as normas , forçou , ilegalmente abusando grosseiramente dos seus poderes, funcionários da dita Assembleia, que são dela funcionários e não capangas a soldo de José Miguel Mendonça , mandando expulsar, com o uso da força física, um deputado e surpreso com a inacção dos outros deputados da oposição, que só tardiamente tomaram a posição de abandonar o hemiciclo, mas também, não sei se notaram, pela incomodidade de alguns deputados da futura oposição com o que estava, inopinadamente, a ocorrer. Enfim é o regime que temos e que me parece estar a dar as últimas, embora seja só a minha opinião. A outra estupefacção, tem a ver com a decisão, unânime, do Tribunal Constitucional, àcerca da convergência das pensões, algo que qualquer cidadão, razoàvelmente informado, esperaria. Por tal nada de surpreendente. O que me não parece razoável é que uma organização, desde que existe, o actual Governo da República, governe ao arrepio da lei, mesmo tendo disso conhecimento o que é provado pelas várias declarações de seus membros, sem que haja qualquer atitude daquele que foi eleito para cumprir e fazer cumprir a Constituição, e se mantém impávido e sereno no circo de Belém, nem das autoridades judiciais de modo a porem termo à ilegalidade institucionalizada. Pergunto-me. Se fosse um de nós, um qualquer de nós, a violar repetida e conscientemente a lei, com responsabilidades semelhantes às que têm aqueles que nos deviam defender governando-nos bem, o que é que nos aconteceria ? No mínimo, estávamos em prisão preventiva a aguardar julgamento, não era ? Então e eles ? Porém, nesta semana, uma preocupante constatação. A inauguração do apelidado “Museu(?)” CR7 revelou um inusitado, porque deslocada em pleno século XXI, culto de personalidade ao bom estilo norte-coreano e com uma cobertura mediática acrítica e acéfala, a mando das sacrossantas regras do mercado (vender, vender, vender...). Não que o facto em si seja grave, pois cada um faz do seu dinheiro o que lhe der na real gana.Preocupante é a disponibilidade dos “media” e da população, a mesma que, “... cantando e rindo...”, votou em Passos Coelho e Portas, para aceitar e mesmo acarinhar este tipo de manifestações. Ao que chegámos!!! Com um Primeiro-Ministro indigente, sob todo e qualquer ponto de vista (cultural , ético , político ou mesmo “profissional”, o que é um supônhamos no que a ele diz respeito), com aquela taciturna figura que no Circo de Belém assume o papel daqueles que tentam fazer rir as criancinhas , só nos faltava um idolatrado e “endeusado” ícone do pontapé na bola , “...Oh Pátria sente-se a voz...”