Vejamos as coisas de forma objectiva. Como ninguém descobriu até agora petróleo no território da Madeira, temos montantes assoberbantes de divida para pagar, o que exige aos responsáveis políticos da Região uma grande responsabilidade pública e, sobretudo, uma estratégia consistente e bem desenhada para o futuro. Sejamos justos: é de louvar o esforço do Secretário Ventura Garcês e do Director Regional Rui Gonçalves na redução da despesa corrente, (nos custos de pessoal e aquisição de bens e serviços) no controle/cessação de algumas despesas de capital (sobretudo alguns investimentos megalómanos sem efeitos multiplicadores na economia), e no aumento substancial de alguma receita fiscal. Também tem razão o Secretário das Finanças quando afirma que a Região Autónoma tem de agir com credibilidade sobretudo no que se refere à aplicação das medidas do PAEF. Todavia, não há credibilidade consolidada, mesmo a custo de muitos sacrifícios e sofrimentosimpostos pelo actual resgate punitivo, capaz de nos impedir de vislumbrar o pesadelo que a Região enfrenta a partir de 2014. Até o final de 2013 a RAM apresenta uma divida acumulada de 6.486 milhões de euros. Um valor que resulta da divida directa assumida pelo Governo Regional de 2.790 milhões de euros, a que acresce a divida indirecta (passivo do Sector Público Regional), no valor de 3.695 milhões de euros. Com uma fatídica Lei das Finanças Regionais que veio reduzir em mais de 40% as transferências do Estado para a Região, amarrada a um Plano de Ajustamento que não promove nem a economia nem o emprego e está a reduzir os investimentos essenciais nas áreas sociais, com receitas próprias estimadas para 2014 em 885,5 (o que seria um recorde)a verdade é que a RAM, a partir de 2015 – se nada for feito – vai ter encargos com a divida estimados em mais de 490 milhões de euros/ano, o que é verdadeiramente catastrófico e inviável para as nossas finanças e para a nossa economia. Hoje, mais do que nunca, no plano político, importa trabalhar com seriedade e unir esforços para que se encontre uma solução sustentável para o presente e futuro da Madeira.
Miguel Albuquerque Candidato a líder do PSD-M