Faltam duas semanas para o final de mais um ano. Obrigo-me à chapa recorrente dos votos de felicidades, mesmo para quem não tem como encontrá-la, e de sucesso, também para aqueles que sei que nunca encontrarão esse caminho. Mas tudo bem, como se ouve nas novelas. Não faço a desfeita, nem para esse lado estou voltado. Que todos sejam felizes, a começar cá por casa! Tristezas, melhor nem falar. É tempo de Festa, mesmo que a Fé seja pouca e a Esperança se esfume em cada peça dos telejornais televisivos. Costumo escrever sobre turismo. As coisas vão bem. Aparentemente. Chegam mais turistas ao Aeroporto. Entram mais hóspedes nos hotéis. Comem mais estrangeiros nos restaurantes da cidade. Os barcos que prometem ver baleias e outros cetáceos venderam mais viagens este ano. A animação turística tem mais produtos e as vendas aumentaram. Mas as receitas não atingiram o nível que se pretende, por turista. Alguns “detractores” do discurso oficial consideram que a qualidade se deve pagar, e porque fomos eleitos o melhor destino insular europeu, temos de fazer jus ao título. De acordo. No próximo ano vamos estudar uma nova estratégia para o turismo da Madeira. Vai chover no molhado. Há um estudo fresquinho. De fácil leitura. Linear. Deu trabalho a quem o executou e formaliza para leitura simples as conclusões de sete anos de conferências e debates sobre a realidade regional lideradas pela Delegação da Ordem dos Economistas. Que mais necessitam agora? Pois é, precisam falar cara a cara, porque de costas as palavras ouvem-se mal e a direcção do vento, por vezes, não ajuda. Para não criar problemas, os promotores dizem que já estavam com a mão na massa e que são pistas que ajudarão certamente quem fizer o trabalho. Bom Natal e Ano Novo Próspero! Não resisto. Aí fica, pronunciado (escrito) com coração. A força do hábito também molda a alma… Espero que em 2014 consigam encontrar-se para melhor trabalhar. A cidade é pequena, mas tem muitas ruas e muitos esconderijos. Alguns refúgios também e umas redomas que protegem e ajudam este Povo Superior que foge ao debate directo das questões de fundo. Uns, porque passam a vida a dizer mal, e querem conservar o estatuto. É “cool”… e porque, certamente, não saberão fazer outra coisa. Outros porque não têm tempo para ouvir, nem acreditam ou assumem que há mais verdade para além da sua continuada falta de justificação.
Catanho Fernandes Jornalista