A recente tempestade de Sudeste que assolou as costas meridionais da Madeira, colocou novamente a questão da infra estruturação marítima na ordem do dia, pelos vários “azares” que se revelaram ao longo da costa sul da Madeira. A todos é comum, o facto dos enrocamentos que existiam, serem manifestamente insuficientes para conter a fúria das vagas, que segundo os mais experientes lobos e “ienas” do mar, são cada vez mais concentradas em tempestades mais poderosas e mais espaçadas durante a estação do Inverno, facto que deve ser tido em conta na manutenção destas barreiras, duplicando, ou em alguns casos triplicando o n.º de tetrápodes, nas barreiras de marinas, portos de recreio, zonas balneares, pontões de acesso e molhes portuários. Este facto foi particularmente evidente no Funchal, em que se pode comparar a eficácia de um enrocamento novo, localizado na zona marítima perto do Forte de São Tiago, com a ineficácia do velhinho enrocamento do cais sul da Marina do Funchal, onde galgavam praticamente todas as vagas que lá chegavam, produzindo consideráveis prejuízos no seu interior. Face a estas evidências, e aliando-as a outras em terra firme, onde consecutivamente, se verificam situações calamitosas, como o caso do 20 de Fevereiro e mais recentemente o sucedido na zona Nordeste da Madeira, torna evidente que realmente vivemos num território dinâmico, especialmente vulnerável pela sua geografia e orografia, conferindo-lhe um risco sistémico. Este ADN da Região, deveria possibilitar a consagração no plano nacional e da União Europeia, de um sistema específico de fundos comunitários dedicados à prevenção e manutenção do território, por mar e por terra, bem como à reorganização da população no mesmo, retirando-a de zonas de risco, por forma a que, ao invés, de termos que mendigar por leis de meios reféns de agendas políticas, termos um eixo assumido de sistemas de apoio à defesa e manutenção do território, protegendo vidas e pertences, conferindo a possibilidade de se planear e definir estratégias, em vez de se reagir e organizar solidariedades. É um desafio com certeza esta consagração, mas será de todo justificável, para se poder manter um território em condições de habitabilidade, sendo o custo diminuto para Portugal e para a UE, em contrapartida de continuarem a gozar de tão vasta zona económica marítima e de à custa da nossa localização geográfica, se poder estender a plataforma continental nacional e europeia.

Sérgio Jesus Presidente da ARVM - Vela Madeira