No passado fim-de-semana mediático, o DIÁRIO trouxe-nos um arrufo presidencial da maior autarquia da região com o seu eleitorado que, através do voto, lhe confiou a governação do Funchal. Não se tratou de mais uma manchete sobre alegados desentendimentos, na luta por mais um assessor político para colonizar a câmara, mas tão só, a manifestação dum estilo de liderança arrogante, que pensava estar erradicado do (plástico) sorriso sedutor p’ra fotografia. Disse o recém-eleito presidente – certamente desprovido do colo da assessoria comunicacional socialista – que não estava disposto a liderar a câmara em regime de duodécimos, caso lhe faltasse o apoio confortável em sede de Assembleia Municipal, para o orçamento de 2014. Ora, quando se governa por vontade do povo em maioria relativa e precária, temos que negociar “pianinho”, e ter sobretudo uma boa dose de humildade, pois aquilo que a maré traz, mais depressa também pode levar. Para além deste desconcertante episódio, notei uma grande insensibilidade desta parte do mesmo “Estado” - que afirma recusar a viver de duodécimos - mas que impõe os mesmos duodécimos aos pensionistas e funcionários públicos nos seus subsídios de Natal. Não tenho grande fé nos orçamentos. Basta vermos os últimos orçamentos de Estado, para ver o quanto eles têm estado furados, e cujas metas têm sido como cenouras em suspensão à frente do nariz, inatingíveis. Mas mesmo aí, ditados pela teimosa urgência de ter um orçamento antes de nova auditoria, há que não cair no mesmo cliché gasto, de dizer com comiseração e rugas na testa, que, “não é o orçamento que queríamos» e «é a herança do passado». Estas são frases gastas da dança das alternâncias políticas, e dos ciclos governativos. Bem sei, que no caso do Funchal, a alternância é agora novidade no poder autárquico, mas o povo, já não engole estas frases feitas sem grande desconfiança, que é como quem diz: chegados “lá”, é mais do mesmo.

Já agora, Boas Festas

Donato Macedo