Virgílio Pereira Após as vitórias das oposições partidárias, em coligações e independentes nas passadas eleições de 29 de Setembro, alguns políticos vitoriosos, na emoção que esses resultados naturalmente lhes produziram, afirmaram a sua alegria pelo facto do 25 de Abril ter chegado, finalmente, à nossa Região. Contudo, estão registados nos arquivos diários e semanários regionais, e não só, uma inúmera diversidade de factos políticos e sociais, cometidos depois do 25 de Abril de 1974 e até os dias de hoje, que revelam bem que o relacionamento humano e de proximidade com a população da Região, dos ex-dirigentes autárquicos e regionais e mesmo de actuais, continha, nitidamente, a importância do espírito emanado pela revolução desse ano. Por isso, julgo de fazer os seguintes reparos: Não é racional nem justo esquecerem-se todos esses factos, apesar de se saber que quem governa hoje tem de se preocupar, racional e claramente, com o futuro. Mesmo a História local deve merecer o mesmo interesse. Essa atitude de humildade democrática em nada havia de desmerecer as vitórias indiscutíveis, concedidas pelo eleitorado votante, desses políticos, bem como a de reconhecerem que a crise terrível em que vivemos foi uma sua imprescindível aliada, já que a oposição tradicional nunca conseguiu passar a sua mensagem em trinta e tal anos de exercício político e democrático. Em Democracia, o Povo opera a alternância dos partidos e dos seus políticos governantes quando e só a entende que eles são culpados das condições desfavoráveis em que eventualmente vivam. Esse é um poder soberano do Povo e não da Comunicação Social e/ou dos estados-maiores dos partidos políticos, embora uns e outros tentem manipulá-lo. Boas Festas e um Novo Ano próspero, cheio de boas realizações, para todos os eleitos autárquicos, bem como para aqueles que regionalmente têm a grande responsabilidade de governar a nossa Terra.