Hiperativo ou indisciplinado, impulsivo ou demasiado irrequieto? Os alunos que exibem estes comportamentos, por motivos de doença ou falta de educação, encontram-se na sala de aula, nos corredores e nos pátios. A escola trabalha com todos eles, independentemente das causas. A escola púbica é inclusiva, a maioria dos professores faz o seu melhor por estes alunos que padecem de problemas emocionais relacionados com a falta de autoestima, afetividade e défice de atenção. Eles surgem perturbados, agem de modo eufórico e desafiador, descontrolam-se e são agressivos. Vive-se, em alguns casos, uma forte tensão entre estes alunos, os seus colegas, os professores e os funcionários, todavia, o problema não se resolve com castigos nem com o Estatuto do aluno. Esta síndrome da hiperatividade ainda não teve a ponderação necessária por parte dos especialistas, pois apercebemo-nos de que o despiste e o diagnóstico são pouco fundamentados, a terapia, assente na célebre ritalina, é bastante questionável, tanto pelos efeitos colaterais, como pelo facto de se limitar a adormecer a doença, durante um tempo limitado. Como é habitual, a escola que se desenrasque! Compatibilizar o perfil dos alunos hiperativos com o dos outros é complexo, mas os professores, que reservam uma grande compreensão e paciência, são lutadores, investem na sua formação onde aprendem não só estratégias pedagógicas e novas técnicas de intervenção, como estudam as competências emocionais, porque este contexto exige uma gestão equilibrada das emoções. Os alunos sinalizados com a hiperatividade ou outro grau de indisciplina grave têm direitos, todavia, os outros alunos e os professores, cientes das suas responsabilidades, também não abdicam dos seus. É fácil sugerir estratégias e ainda mais fácil se torna acusar a escola por tudo, no entanto, quem enfrenta, ensina, forma e educa, dia após dia, estes alunos hiperativos e os outros são os professores.

Rui Caetano Professor