Leitor identificado O sistema de amarração flutuante das embarcações, composto por pontões e fingers é velho, e são visíveis, mesmo a um olhar menos atento, as fissuras e remendos indicadores seguros de uma forte fadiga do material. No sistema de amarração flutuante, que é destinado a um tipo de embarcações ligeiras, estão amarradas embarcações de tamanho considerável, que pertencem na sua maioria, a bem instalados à mesa da madeira nova e cuja principal utilidade é o show off. O sistema pura e simplesmente não tem capacidade para suportar os esforços causados por estes monstros. Só a ausência de regras, o tráfico de influências, o “agachadismo” e a ignorância absoluta das leis da física e do mar, permitiram que estas embarcações amarrassem onde amarraram e que por isso, causaram os danos que causaram às estruturas que a todos servem. Constatou-se a absoluta ausência dum plano de contingência ou emergência. A Direção da marina pura e simplesmente não dispõe de materiais (cabos e defensas entre outros), nem de uma equipa treinada para fazer face a uma emergência deste tipo, o Responsável pela marina bem se desdobrou em 3 ou em 4, tentando ajudar no que podia e sem nenhum tipo de meios fez o possível para acudir às situações mais emergentes. Também, por certo que, por distração minha, não vi ninguém da Direção por lá. Na impossibilidade da necessária resposta por parte da entidade responsável, ou de alguém que comandasse as operações, que orientasse, caíu-se na mais absoluta anarquia, foi o “salve-se quem puder”, com proprietários de barcos a cruzar cabos entre os pontões, amarrando umas às outras várias embarcações, impedindo desse modo a saída das embarcações que quisessem manobrar para se porem a salvo, mais no interior da marina, ou navegar para fora dela, para o fundo da Pontinha. O facto de amarrarem os pontões uns aos outros, criou o risco acrescido de, se um deles colapsasse, o(s) outro(s) colapsariam imediatamente, como um dominó. Onde estavam os técnicos da Administração dos portos? Onde estava a Autoridade Marítima e a Marinha? Bem hajam o Sr. Alves, o Sr. Jorge, o Sr. Gerardo, o Mestre Carlos, o Mestre Rocha, os rapazes do catamaran e tantos, tantos outros proprietários que disponibilizaram generosamente o seu material a sua experiência e competência, amarrando aqui, colocando uma defensa acolá, não apenas nos seus barcos e dos amigos, mas também a desconhecidos e a todos duma forma geral. Esta solidariedade foi a única coisa que funcionou, sem ela, poderia ter acontecido o mesmo, ou pior, do que aconteceu em Machico...(A segunda parte da carta é publicada amanhã)