Estamos a finalizar um ano onde aconteceu um pouco de tudo na minha vida. Vivi momentos inesquecíveis de todos os pontos de vista. Uns positivos e outros negativos, lembrando que a vida tem estes dois lados que nos trazem felicidade e angústia e que realmente nada é linear. Passando um pouco em revista alguns acontecimentos que marcaram a nossa vida colectiva o pior foi mesmo a continuação do roubo governamental feito aos direitos de quem trabalhou uma vida inteira e de quem continua a trabalhar para sustentar um Estado cada vez mais injusto e mais insensível. Um Estado que se transforma em cada dia que passa num grupo de pessoas sem dignidade, e sem autoridade, que nunca descansam a pensar como sugar a maior fatia dos rendimentos das famílias. Como diziam há dias, os gatos fedorentos, “um estado de gatunos”! Muitas são as lutas que se têm travado e louvo os que nunca desistem de travar esta gente sem escrúpulos que nos governa. A necessidade de os pôr a andar é cada vez mais sentida e urgente. Na Região continuamos a assistir ao enterro da Autonomia pela mão dos coveiros do PSD que alimentaram durante anos a fio uma rede sem fim de interesses que se instalaram à volta do poder e que agora não querem largar o que os alimenta de forma nenhuma recorrendo a todas as artimanhas para manter os seus privilégios. Não interessa se os trabalhadores ganham menos e se alguns deles ganham vários ordenados. Não interessa que existam mais pobres porque eles são necessários para aparecerem as obras de caridade que fazem lembrar tempos que já estavam esquecidos. Não interessa se os nossos impostos servem para manter um jornal ao serviço da propaganda ao estilo de regimes já caducos. Não interessa se não satisfazem as necessidades da habitação, que eles próprios reconhecem que são gritantes, pois ainda existem pessoas a viver em situações desumanas. Não interessa que a Autonomia esteja esvaziada de conteúdo e que paguemos os mesmos impostos mais os custos de vivermos isolados numa Ilha. O que lhes importa é manter a rede oleada a funcionar a seu belo prazer embora apareça de vez em quando uma areia na engrenagem mas sem qualquer efeito prático na nossa vida colectiva porque é tudo farinha, que esteve, e está, no mesmo saco. A alternativa tem que ser no caminho duma verdadeira Mudança com aqueles que nunca alinharam neste caminho. Os que agora parecem querer se colar a esta ideia não passam de oportunistas que querem estar a bem com Deus e com o diabo para não perderem a embalagem. É neste contexto que se realizaram as eleições autárquicas onde a mudança de cor em algumas autarquias veio nos dizer que é POSSÍVEL! É possível ter esperança que a Madeira não está condenada a viver debaixo do jugo laranja por toda a vida. Vivemos no dia 29 de Setembro momentos históricos que alguns teimam a não aceitar. Mas foram momentos únicos, porque poderão significar o início do fim de um poder que está mais do que podre. Está podre e com muito bicho, que, se não é eliminado pelo povo do resto do poder, pode levar a que a Madeira em vez do buraco que já tem possa abrir uma cratera e afundar para sempre com os madeirenses e a sua autonomia conquistada e consagrada na primeira Constituição de Abril. O caminho para 2014 só pode ser o de continuar a acreditar que a esperança é possível, mesmo para superar os problemas pessoais que entretanto vieram ensombrar a nossa vida. Continuar a luta por outras políticas com outros políticos/as. Continuar a apostar que só numa Mudança de acções e de prioridades a nossa vida colectiva poderá ser mais feliz e mais risonha. Bem precisamos! Feliz Natal e Feliz ano para Todos e Todas.
Guida Vieira