O mais recente relatório especial do Eurobarómetro sobre a Participação em Actividades Culturais (ref. 399) apresenta um retrato desolador do comportamento e pensamento dos cidadãos e cidadãs da Europa em relação à cultura. Em comparação com o inquérito de 2007, verificou-se um declínio na participação em quase todas as actividades culturais e áreas criativas. Os números para Portugal não são mais animadores. Por exemplo: 49% dos inquiridos indicaram “Falta de interesse” como a razão principal para não ler um livro (a nível europeu foram 25%) e apenas 3% referiram o aspecto financeiro. Sobre as actividades criativas: 5% dos inquiridos afirmaram ter feito filmes/fotografias, 2% afirmaram ter escrito um poema/romance/conto, 2% afirmaram ter feito “informática criativa” através do desenho de websites ou blogs. Quando uma actividade criativa gratuita e relevante como a informática não é explorada, que futuro esperamos nós nestes domínios do conhecimento? A criatividade não é fundamental apenas para os artistas, mas para os comerciantes que procuram novas formas de fazer negócio, para engenheiros que tentam resolver problemas, para os pais que desejam que as suas crianças vejam o mundo com novos olhos, com novas visões que nos permitam alcançar um outro Futuro mais risonho! Mas a criatividade tem que ser alavancada em leituras, em conhecimento, em referências sólidas. De outra forma, continuaremos a criar espaços para a mediocridade. Vamos trabalhar para inverter essa tendência em 2014. Podemos começar de forma muito simples: que tal oferecer ou ler um livro neste Natal?
Roberto Macedo Alves