O legado de Nelson Mandela vai perdurar. Para sempre. Depois de ter estado 27 anos detido por defender o fim do Apartheid (um hediondo regime racista), Mandela quando libertado interpretou o seu papel não como o “vingador” mas como o “pacificador”. O resultado foi o de se ter transformado num dos maiores Estadistas do Século XX. Mandela acabou por ser um dos melhores exemplos que demonstram o erro do racismo: foi um negro (raça maioritária na África do Sul) que conseguiu unir um País multicultural e com várias raças segregadas. O que parecia impossível tornou-se realidade graças a Mandela. Madiba fica como uma inspiração. Ramalho Eanes Um grupo de portugueses decidiu homenagear o General Eanes. Uma justa homenagem pública a um homem que demonstrou uma notável coragem, a partir de 1975, quando participou numa estratégia que impediu que Portugal se tornasse numa ditadura comunista gerida a partir da, então, União Soviética. Era isso que Cunhal (um verdadeiro traidor?) desejava para Portugal: transformar o nosso País num País comandado pelos comunistas soviéticos sem qualquer Independência, Liberdade ou Democracia. Felizmente que os comunistas, em geral, e o Cunhal, em particular, foram derrotados. Isso também se deve ao General Eanes. O que mais me impressiona no General Eanes é a sua correção de Valores. Apesar de ter tido atitudes políticas que eu discordo (como fundar o PRD, ter sido um entrave a algumas reformas que o país precisava) a verdade é que o General Eanes foi – e é - coerente e um grande patriota. A sua intervenção na Sessão de homenagem demonstrou que Ramalho Eanes não quer liderar nada. O que ele quer é consensos. Denunciou a pobreza, o desemprego mas sem ódio nem fanfarra de protagonismos. A mesma atitude teve quando recusou receber mais de um milhão de euros em pensões de reforma a que tinha direito. Recusou igualmente ser Marechal. Podia. Tinha direito a essa distinção mas recusou. Na sua homenagem e na hora de distinguir alguém escolheu a sua Mulher, filhos e netos. Agradeceu a Deus o que lhe deu. E chorou. Perante a pergunta: “um General também chora?”, o General Eanes respondeu: “um homem que não chora é um homem que já perdeu a humanidade”. De facto o General não só não perdeu a “humanidade” como faz questão de a difundir. Um exemplo. Uma má comunicação O atual governo do PSD-PP deve ser um dos piores governos em matéria de comunicação. Comunica pouco e o pouco que comunica, comunica mal. Ora vejamos boas notícias que o Governo não sabe passar: a taxa de desemprego começou a descer; a criação de emprego está a aumentar todos os meses; duplicou a oferta de emprego nos Centros de Emprego; o índice de vendas a retalho e a produção industrial têm crescido nos últimos seis meses; as exportações continuam a crescer apesar da crise internacional; as exportações já representam 42% do PIB!; as contas com o exterior que, há dois anos, eram negativas na ordem dos 10 mil milhões de euros são hoje positivas, na ordem dos mil milhões. Boas notícias mas mal comunicadas. Que pena. Livro Sugiro um livro de crónicas que são verdadeiros pequenos ensaios muito bem fundamentados e que merecem a nossa leitura e discussão. Refiro-me ao livro “Democracia Liberal” de Pedro Rosa Ferro. O livro tem prefácio de João Carlos Espada e é editado pela Almedina. Fala de “Justiça”, “Capitalismo”, “Liberdade”, Ética e Mercado”, “Resistência e Desobediência”, etc. Tudo temas de grande atualidade.
Paulo Neves